Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 8 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

ELEAZAR, com o intuito de afastar o negro pensamento, que a todos trez opprime no intimo:

Mas o povo nem sempre acceita um bom aviso, E Deus pode morrer... quando fôr mais preciso.

ELEAZAR, com o intuito de afastar o negro pensamento, que a todos trez opprime

no intimo:

O Mestre não virá. Alegra-me a certeza De que foge ao Conselho a ambicionada preza. Começa em breve a Paschoa, e entre os forasteiros Ainda não chegou nem um dos companheiros Do Mestre.

GAMALIEL

Vae o Sol no termo da viagem:

Torno para a cidade.

E novamente em segredo:

Eleazar, coragem!

No teu silencio tens a minha vida e a tua.

ELEAZAR, abeirando-se muito a elle, supplicante:

Se te constar, porem, que o plano continúa E mais se desenvolve...

GAMALIEL

Hei de dizer-te, amigo.

ELEAZAR, saúdando-o:

Que não te fuja Deus!

GAMALIEL, saúdando-o:

Fique o Senhor comtigo!

Saúda tambem Maria, e, retomando o caminho da cidade, vae-se ao longo

da estrada, um pouco alquebrado, cadenciando os passos pelo bater do

bordão no solo poeirento.

ELEAZAR sentou-se no tronco d'arvore, pensando; e, como respondendo aos

proprios pensamentos:

Ninguem pode roubal-o á proxima agonía. Morrerá na cidade. A horrivel profecia Aponta-lhe, cruel, a inevitavel a sorte... Ha muito que de longe anda a espreital-o a morte!

 

Martha e Simão de Bethania saíram de casa. Ella é uma rapariguita de

desoito annos, irrequieta, buliçosa, muito infantil; elle, um velho cujo cabello e

barba ha muito branquearam; nas mãos o trabalho da lavoura poz-lhe