Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 11 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Eleazar

Lenha nas faldas do monte...

Nada vejo, d'importancia,

Que não tenhamos. Então,

Quero saber o motivo

Por que estás tão pensativo...

E rindo muito:

E com cara de chorão!

ELEAZAR

E tenho de que sorrir?

MARIA em longa abstração, como se ninguem a ouvisse:

Quem pensa é como quem sonha...

E como a vida é risonha,

Quando se pode dormir!...

ELEAZAR perseguido pelo olhar inquiridor de Martha:

A minha alma atribulada

Profundo misterio aninha...

Sê caridosa, irmãsinha,

Não me perguntes mais nada!

MARTHA afastando-se logo com muito despeito:

Ai! não pergunto!

SIMÃO que de parte estivera rindo dos dois:

Uma idéa,

Que talvez seja bem dita:

Vou fazer uma visita

Ao José d'Arimathéa.

Vem commigo. Pode ser

Que tenhas n'este passeio

O prompto e seguro meio

Da tristeza espairecer.

ELEAZAR

Dizes bem.

SIMÃO

Acceitas?

ELEAZAR

Sim.

SIMÃO

Afinal é sempre o velho

Quem dá o melhor conselho!