Judas: romance lírico em quatro jornadas
Eleazar
Lenha nas faldas do monte...
Nada vejo, d'importancia,
Que não tenhamos. Então,
Quero saber o motivo
Por que estás tão pensativo...
E rindo muito:
E com cara de chorão!
ELEAZAR
E tenho de que sorrir?
MARIA em longa abstração, como se ninguem a ouvisse:
Quem pensa é como quem sonha...
E como a vida é risonha,
Quando se pode dormir!...
ELEAZAR perseguido pelo olhar inquiridor de Martha:
A minha alma atribulada
Profundo misterio aninha...
Sê caridosa, irmãsinha,
Não me perguntes mais nada!
MARTHA afastando-se logo com muito despeito:
Ai! não pergunto!
SIMÃO que de parte estivera rindo dos dois:
Uma idéa,
Que talvez seja bem dita:
Vou fazer uma visita
Ao José d'Arimathéa.
Vem commigo. Pode ser
Que tenhas n'este passeio
O prompto e seguro meio
Da tristeza espairecer.
ELEAZAR
Dizes bem.
SIMÃO
Acceitas?
ELEAZAR
Sim.
SIMÃO
Afinal é sempre o velho
Quem dá o melhor conselho!