Judas: romance lírico em quatro jornadas
HANAN detendo-o, supplicante, receioso:
E passeiando agitado, raciocinando e resolvendo de prompto:
Prefiro debelar de prompto a crise. Ignoro Se falaste verdade, ou se acaso labóro Em uma vil intriga! A dúvida me envolve... Mas n'esta situação o meu poder resolve O que julga efficaz. Esse traidor proféta Ha de attingir ainda hoje a tenebrosa méta Da existencia. Vou dar a ordem da prisão Do Zéfiro subtil com furias d'Aquilão!
HANAN detendo-o, supplicante, receioso:
Sê prudente, senhor. O sangue d'innocentes Não deverá correr. Escuta os meus prudentes Conselhos, bom amigo. Ai! poupa-me a Judéa!... Escuta-me, por Deus! e a indignação refreia! Tenho medo do povo... elle é tão leviano!... Será muito melhor seguir o nosso plano.
PONCIO sem querer ouvil-o:
Que poderá falhar!
HANAN n'um protesto:
Que é firme!
UDAS
Que é seguro!
HANAN matreiramente:
Uma escolta romana ao meu dispôr, e juro Por Moysés que ámanhã de noite será preso O Nazareno.
E em tom de muita confiança, como velha autoridade que bem conhece os
seus governados:
O povo ha de ficar surpreso,
Ao saber no outro dia a grande nova. Embora! Não deve protestar, porque elle não ignora Que é depois d'ámanhã o dia consagradoAo festejo da Paschoa. Assim, manietado
E mudo, ha de assistir ao julgamento e morte Do Proféta.—Senhor, bem vês que d'esta sorte Moysés perde um rival, Tibério um inimigo. —Este homem prometteu que ha de ensinar o abrigo Onde fica de noite o Nazareno occulto E os discipulos...
UDAS