Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 66 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

HANAN detendo-o, supplicante, receioso:

E passeiando agitado, raciocinando e resolvendo de prompto:

Prefiro debelar de prompto a crise. Ignoro Se falaste verdade, ou se acaso labóro Em uma vil intriga! A dúvida me envolve... Mas n'esta situação o meu poder resolve O que julga efficaz. Esse traidor proféta Ha de attingir ainda hoje a tenebrosa méta Da existencia. Vou dar a ordem da prisão Do Zéfiro subtil com furias d'Aquilão!

HANAN detendo-o, supplicante, receioso:

Sê prudente, senhor. O sangue d'innocentes Não deverá correr. Escuta os meus prudentes Conselhos, bom amigo. Ai! poupa-me a Judéa!... Escuta-me, por Deus! e a indignação refreia! Tenho medo do povo... elle é tão leviano!... Será muito melhor seguir o nosso plano.

PONCIO sem querer ouvil-o:

Que poderá falhar!

HANAN n'um protesto:

Que é firme!

UDAS

Que é seguro!

HANAN matreiramente:

Uma escolta romana ao meu dispôr, e juro Por Moysés que ámanhã de noite será preso O Nazareno.

E em tom de muita confiança, como velha autoridade que bem conhece os

seus governados:

O povo ha de ficar surpreso,

Ao saber no outro dia a grande nova. Embora! Não deve protestar, porque elle não ignora Que é depois d'ámanhã o dia consagradoAo festejo da Paschoa. Assim, manietado

E mudo, ha de assistir ao julgamento e morte Do Proféta.—Senhor, bem vês que d'esta sorte Moysés perde um rival, Tibério um inimigo. —Este homem prometteu que ha de ensinar o abrigo Onde fica de noite o Nazareno occulto E os discipulos...

UDAS