Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 41 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Gamaliel

Que poderá tornar-se em grande mar vermelho, Se Poncio perfilhar o voto do Conselho!

OÃO

As espadas de Roma, as furias de Tiberio, Inda hão de succumbir a todo o nosso imperio! O povo ha de gritar, raivoso, leonino, Rasgando a face impura ao despota assassino!

GAMALIEL, procurando serenar os animos; as lagrimas borbulhando nos olhos e

cahindo-lhe pelas barbas brancas:

Ouvide-me, por Deus! Eu tenho lido tanto No livro da experiencia, amigos, que é de pranto A minha pobre offerta á causa alevantada! Vós não podeis brandir a rutilante espada; Nem elle, todo amor, consentiria nunca Na transfiguração do verbo em garra adunca. Parti, pois que é preciso apparecer ao povo, Mas fugide a que venha um incidente novo Aguçar ao tiranno o sanguinario intento. Entrae com desassombro a porta do aposento Onde finge dormir, silencioso, o crime; Acalmae-vos, porem, ou elle não reprime O seu rancor feroz!

SIMÃO PEDRA tambem resoluto:

Seja o que Deus quizer!

OÃO

Nem lamina d'espada, ou pranto de mulher, Pode esfriar em mim a indignação!

GAMALIEL

Piedade!

ELEAZAR

Vamos!

MATHEUS

Jerusalem!

SIMÃO

Coragem!

OÃO