Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 55 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

PONCIO sem se voltar, continuando a lêr:

Hão de cedo chamal-o ao domicilio

Onde cáem as victimas da Morte!

Muito ironica:

Que inspiração divina

Eu tive ao escolher este consorte!

Com um gesto ordena a Geda que se retire. Ergue-se do coxim, e

adiantando-se para Poncio, que não a viu:

Que novas trazes, Poncio?

PONCIO sem se voltar, continuando a lêr:

É de Tiberio

Foi-me enviado este papyro honroso.

CLAUDIA em sobresalto infantil:

O quê?! Novas de Roma?

PONCIO

O grande imperio

Continúa radiante e venturoso.

Foi porém necessario reprimir,

No principio do anno,

Certa conspiração que fôra urdida

Pelos amigos do traidor Sejano.

A mensagem termina

Aconselhando a que use da violencia.

E lê pausadamente, accentuando muito as palavras:

«Aprende em mim como o poder se eleva

E como se elimina

Todo aquelle que tenha a impudencia

De attentar contra a posse d'este manto.

Faze como eu tambem:

Reprime a todo o custo a rebeldia.

Talvez no Templo se conspire. Emquanto

Mostres sabedoria,

Espirito sensato, forte e agudo,

Podes contar comigo.

Recommenda a Claudia, Poncio amigo.

Por Jove, te saúdo».

Põe de parte o papyro e reclina a fronte na mão.

CLAUDIA que em silencio ficára appreensiva:

O que vaes responder?

PONCIO sem se mover: