Judas: romance lírico em quatro jornadas
PONCIO sem se voltar, continuando a lêr:
Hão de cedo chamal-o ao domicilio
Onde cáem as victimas da Morte!
Muito ironica:
Que inspiração divina
Eu tive ao escolher este consorte!
Com um gesto ordena a Geda que se retire. Ergue-se do coxim, e
adiantando-se para Poncio, que não a viu:
Que novas trazes, Poncio?
PONCIO sem se voltar, continuando a lêr:
É de Tiberio
Foi-me enviado este papyro honroso.
CLAUDIA em sobresalto infantil:
O quê?! Novas de Roma?
PONCIO
O grande imperio
Continúa radiante e venturoso.
Foi porém necessario reprimir,
No principio do anno,
Certa conspiração que fôra urdida
Pelos amigos do traidor Sejano.
A mensagem termina
Aconselhando a que use da violencia.
E lê pausadamente, accentuando muito as palavras:
«Aprende em mim como o poder se eleva
E como se elimina
Todo aquelle que tenha a impudencia
De attentar contra a posse d'este manto.
Faze como eu tambem:
Reprime a todo o custo a rebeldia.
Talvez no Templo se conspire. Emquanto
Mostres sabedoria,
Espirito sensato, forte e agudo,
Podes contar comigo.
Recommenda a Claudia, Poncio amigo.
Por Jove, te saúdo».
Põe de parte o papyro e reclina a fronte na mão.
CLAUDIA que em silencio ficára appreensiva:
O que vaes responder?
PONCIO sem se mover: