Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 30 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Simão

Fabricado em casa do Simão...

SIMÃO

Obrigado. Outro copo?

SIMÃO PEDRA

O vinho é de Ascalão.

Conhece-se a distancia apenas pelo aroma.

SIMÃO

Continuam a dar-lhe enorme apreço em Roma

Para onde vão toneis sobre toneis!

MATHEUS que n'um movimento de cabeça concordára e que bebera depois

d'aspirar o bom perfume:

Pudera!

O amor entre os pagãos á embriaguez prospéra.

SIMÃO apresentando outra infusa:

Temos agora aqui magnifica cerveja.

SIMÃO PEDRA

De cevada?

SIMÃO

Não é.

MATHEUS

De peros?

SIMÃO

De cereja

Cultivada em Ramá.

Com sorriso amigo, Simão Pedra e Matheus estendem os copos para

Simão que n'elles verte o nectar rubro e espumante. Cheio o seu, bebem os trez em silencio e com recolhimento.

SIMÃO PEDRA pousando o copo onde o olhar pensativo está fixando:

Olhae como é profundo

Este segredo!

MATHEUS

Qual?

SIMÃO PEDRA

Por um processo immundo,

Pela fermentação, consegue-se tirar Da materia um licor tão grato ao paladar.