Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 71 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

CLAUDIA zombeteira, petulante:

O heroe do teu poema?

MARIA animando-se pouco a pouco:

Heroe, disseste bem, mas que regeita

O gladio vingador,

E que tem na palavra uma arma affeita

Á bondade, ao amor...

Ouvindo-lhe o falar tão meigo e doce

Que de manso deslisa,

Perfumado, subtil, como se fosse

O perpassar da brisa,

As almas estremecem, de sentidas,

E ficam-se amorosas, Desabrochando trémulas,

florídas,

Como botões de rosas!

Ha já trez dias, Claudia, que o terror

É para mim veneno!

Querem matal-o! Ai! salva o meu amor!

Ai! salva o Nazareno!

Não deixes que lhe roubem a existencia,

E termina o martirio

D'esta paixão que tem do Sol a ardencia,

E a pureza d'um lirio!

Ordena que o não matem, Claudia! acalma

Os monstros malfasejos,

Que eu a teus pés arrojarei minh'alma

N'um effluvio de beijos!

E cáe de joelhos em frente d'ella, com a fronte erguida, o olhar febril, os

braços estendidos, supplicante.

CLAUDIA depois de nova risada: