Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 17 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

MARIA muito vexada pela insultante benevolencia de Claudia:

Qual sanguineo brilhante, a fébre da matança,

Dos deuses o prazer dulcissimo: a Vingança!

 

Mas em rapido movimento, como obedecendo a pensamento occulto, faz

signal aos soldados, que logo abandonam Maria. Depois, com acerado sorriso de maldade:

Agradece, mulher, a mim e ao teu Deus

Esta disposição d'espirito, e os meus

Bons nervos hoje; e grava, em summa, na memoria

Que o insulto nem sempre é uma gloria!

MARIA muito vexada pela insultante benevolencia de Claudia:

Eu não pedi perdão...

CLAUDIA victoriosa pelo effeito que o perdão causou no animo independente da

patriotica filha d'Israel:

E quem diz tal, judía?

Fui eu que perdoei...—Offendes-te?

MARTHA supplicante ao ouvido da irmã, que ia responder:

Maria...

CLAUDIA rindo, satisfeita, feliz:

Maria... Nome formoso,

Que tem um rythmo éoleo!

Merece logar honroso,

Por Jove, no Capitolio!

E volta para a liteira.

A ESCRAVA GEDA ajudando-a a accomodar-se nas almofadas da liteira:

Nunca te vi assim...

CLAUDIA

Diverte me a bondade,

Ás vezes...

O CENTURIÃO AMPÍO ao sequito:

A caminho!

Os lecticarios põem a liteira aos hombros.

CLAUDIA

Á porta da cidade

Haveremos de estar antes da noite. Anceio

Por que termine em bréve este infeliz passeio,

Sem novo encontro mau.—Ó palida judía, Pode ser que eu te veja ainda... Até um dia Tem saúde até lá, que o ferro vingadorDetesta a gente magra, e tem maior furor