Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 48 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

JUDAS animado, satisfeito:

De que o povo alevante alguns protestos...

Á prudencia conforme,

Assim procederá.

UDAS animado, satisfeito:

Dize-me então...

BENJAMIM

É urgente saber onde elle dorme.

Tu sabes com certeza!

UDAS hesitando, vagamente acobardado:

Mas...

BENJAMIM

O quê?

Não queres a vingança, Judas?

UDAS

Quero...

BENJAMIM

N'esse caso, aproveita o bello ensejo,

Que outro não tens melhor. Sendo sincero

E grande, como julgo, o teu desejo,

Não deves recusar o que proponho.

—Ouviste? Muito bem! Reflecte agora,

Este sitio não é muito seguro...

Aguardo te lá fóra!

Vae-se; Josué segue-o, e os dois desapparecem.

UDAS ficou perplexo ainda, como medindo a gravidade da proposta. Mas depois:

De que serve hesitar, se me apresentam

Como satisfazer o meu anceio?

Basta que eu seja um cumplice d'Hanan,

Um traidor simplesmente... Nada mais...

Com rude franqueza:

—Na mão direita a Infamia,

A Consciencia na esquerda. Eu de permeio!

Com funda ironia:

A sentença fixei:

«Não saiba a esquerda o que pratíca a irmã.»

—Não saberá, que eu nada lhe direi!

Vae sair, mas a porta que dá communicação para o interior da casa abre-

se, e Maria apparece no cimo dos degraus. Judas quedou-se.