Judas: romance lírico em quatro jornadas
JUDAS animado, satisfeito:
De que o povo alevante alguns protestos...
Á prudencia conforme,
Assim procederá.
UDAS animado, satisfeito:
Dize-me então...
BENJAMIM
É urgente saber onde elle dorme.
Tu sabes com certeza!
UDAS hesitando, vagamente acobardado:
Mas...
BENJAMIM
O quê?
Não queres a vingança, Judas?
UDAS
Quero...
BENJAMIM
N'esse caso, aproveita o bello ensejo,
Que outro não tens melhor. Sendo sincero
E grande, como julgo, o teu desejo,
Não deves recusar o que proponho.
—Ouviste? Muito bem! Reflecte agora,
Este sitio não é muito seguro...
Aguardo te lá fóra!
Vae-se; Josué segue-o, e os dois desapparecem.
UDAS ficou perplexo ainda, como medindo a gravidade da proposta. Mas depois:
De que serve hesitar, se me apresentam
Como satisfazer o meu anceio?
Basta que eu seja um cumplice d'Hanan,
Um traidor simplesmente... Nada mais...
Com rude franqueza:
—Na mão direita a Infamia,
A Consciencia na esquerda. Eu de permeio!
Com funda ironia:
A sentença fixei:
«Não saiba a esquerda o que pratíca a irmã.»
—Não saberá, que eu nada lhe direi!
Vae sair, mas a porta que dá communicação para o interior da casa abre-
se, e Maria apparece no cimo dos degraus. Judas quedou-se.