Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 85 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

GAMALIEL avançando para elle nervosamente:

Macieiras em flôr; regatos que passaes, Ondeando, como ondeia á brisa, levemente,Da aldeã virginal a trança refulgente...

Montanhas de Nain; e tu, ó grande monte, Que te elevas no fundo azul do horisonte, Redondo como um seio a amamentar os astros... Meigo Genezareth, campos, cabanas, mastros, Rochedos, alcantís, seáras e pastagens, Que bordam a primor tuas alegres margens... —Eis aqui finalmente a horrivel derrocada! A solida affeição dos Dôse feita em nada; A cegueira vencendo; a Luz amortecida; A tripudiar em nós um ladrão homicida; E eu, no meio de tudo, extactico e absôrto, Buscando o olhar de Deus na pallidez d'um morto!... —E assim tudo acabou!

GAMALIEL avançando para elle nervosamente:

Quem fala de acabar?

O fogo ainda não se extinguiu no altar Da nossa consciencia, e os rubros holocaustos Onde fomos depôr as almas ainda exhaustos Não deixaram de todo os nossos corações!

OÃO desanimado:

Que havemos de fazer?...

GAMALIEL animando-se e animando-o:

Povos, religiões,

Autoridades, leis, é tudo movediço

E débil como ao sôpro um tímido aranhiço!

SIMÃO PEDRA

Queres dizer então...

ELEAZAR

A lucta?!

GAMALIEL

Braço a braço,

Não se deve luctar. Seria um erro crasso Instituir o Bem co'o ferro. Não! Deixae Esse erroneo principio aos filhos de Schammai!

OÃO erguendo-se:

O que pensas?