Judas: romance lírico em quatro jornadas
Segunda Jornada
animada de forte resolução, encaminha-se para a fonte, passando pela frente
de Judas, natural e serena. Elle seguiu-a com o olhar e quedou-se a
contemplal-a. Maria põe a amphora sob a corrente d'agua, e espera que
encha.
Os romeiros aproximam-se com o seu tanger plangente. Dir-se-ía que uma lagrima resvalou no rosto de Judas, cujo olhar está agora
fito no chão. Mas, por fim, com expressão de resignado, eil-o que se dirige
para casa, onde entra a passos lentos.
A amphora transborda. Maria põe-na sobre o quadril e dá alguns passos.
Parou: negro pensamento lhe atravessa o espirito; olha para as bandas da
cidade com expressão de temor, como se d'ali podesse vir desgraça para
algum ente querido... Entra depois em casa, serenamente, fechando a porta.
Os romeiros, cinco apenas, passam na estrada, tangendo os seus
instrumentos, e vão-se afastando, afastando gradualmente, os sons sumindo-
se pouco a pouco na distancia. A lua sobe com lentidão; paira em todo o
quadro a quietação muda da Natureza adormecida...
Mas um vulto suspeito e cauteloso deslisa na sombra, e dir-se-ía que esse
vulto é Benjamim.
SEGUNDA JORNADA