Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 28 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Segunda Jornada

animada de forte resolução, encaminha-se para a fonte, passando pela frente

de Judas, natural e serena. Elle seguiu-a com o olhar e quedou-se a

contemplal-a. Maria põe a amphora sob a corrente d'agua, e espera que

encha.

Os romeiros aproximam-se com o seu tanger plangente. Dir-se-ía que uma lagrima resvalou no rosto de Judas, cujo olhar está agora

fito no chão. Mas, por fim, com expressão de resignado, eil-o que se dirige

para casa, onde entra a passos lentos.

A amphora transborda. Maria põe-na sobre o quadril e dá alguns passos.

Parou: negro pensamento lhe atravessa o espirito; olha para as bandas da

cidade com expressão de temor, como se d'ali podesse vir desgraça para

algum ente querido... Entra depois em casa, serenamente, fechando a porta.

Os romeiros, cinco apenas, passam na estrada, tangendo os seus

instrumentos, e vão-se afastando, afastando gradualmente, os sons sumindo-

se pouco a pouco na distancia. A lua sobe com lentidão; paira em todo o

quadro a quietação muda da Natureza adormecida...

Mas um vulto suspeito e cauteloso deslisa na sombra, e dir-se-ía que esse

vulto é Benjamim.

 

SEGUNDA JORNADA