Judas: romance lírico em quatro jornadas
CLAUDIA suspeitosa:
Pela mágua da saúdade...
—Vinde comigo, mulheres,
Orvalhar co'o vosso pranto
A boceta em que dormita
Aquelle celeste encanto.
Ide colher á campina
Braçados de malmequeres,
D'alfazema e rosmaninho,
E vinde, vinde comigo
Dispol-os naquelle ninho...
E vós, ó mães, que trazeis
No ventre o fructo do amor,
Purificae-o aspirando
O perfume e o calor,
Que se evolam brandamente
Do sepulcro sorridente,
Como as nuvens que perpassam...
... Fumo illusorio, que sobe
Com lentidão pelo ar, E que se esvae n'um
instante,
P'ra nunca mais se juntar...
E cala-se, a voz estrangulada pelas lagrimas.
CLAUDIA suspeitosa:
Estas palavras?... Judía,
Impossivel existirem
Dois corações como o teu!
MARIA
Já não o tenho: morreu.
CLAUDIA
Como te chamas?
E vendo o rosto de Maria que se desvelára:
Maria!
MARIA caíndo de joelhos e beijando-lhe as mãos:
Sim! que se roja a teus pés
Humildemente contricta,
Para dizer-te: mulher,
Sê bemdita, sê bemdita!
CLAUDIA com a voz cheia de bondade, obrigando Maria a erguer-se e abraçando-a:
Ergue-te, ó alma sublime,
Que encheste de luz a treva