Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 82 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

CLAUDIA suspeitosa:

Pela mágua da saúdade...

—Vinde comigo, mulheres,

Orvalhar co'o vosso pranto

A boceta em que dormita

Aquelle celeste encanto.

Ide colher á campina

Braçados de malmequeres,

D'alfazema e rosmaninho,

E vinde, vinde comigo

Dispol-os naquelle ninho...

E vós, ó mães, que trazeis

No ventre o fructo do amor,

Purificae-o aspirando

O perfume e o calor,

Que se evolam brandamente

Do sepulcro sorridente,

Como as nuvens que perpassam...

... Fumo illusorio, que sobe

Com lentidão pelo ar, E que se esvae n'um

instante,

P'ra nunca mais se juntar...

E cala-se, a voz estrangulada pelas lagrimas.

CLAUDIA suspeitosa:

Estas palavras?... Judía,

Impossivel existirem

Dois corações como o teu!

MARIA

Já não o tenho: morreu.

CLAUDIA

Como te chamas?

E vendo o rosto de Maria que se desvelára:

Maria!

MARIA caíndo de joelhos e beijando-lhe as mãos:

Sim! que se roja a teus pés

Humildemente contricta,

Para dizer-te: mulher,

Sê bemdita, sê bemdita!

CLAUDIA com a voz cheia de bondade, obrigando Maria a erguer-se e abraçando-a:

Ergue-te, ó alma sublime,

Que encheste de luz a treva