Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 46 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

BENJAMIM com muita humildade:

Expele-o do teu ventre e arroja-o nos meu braços!

Com grande desanimo:

Nem elle me protege! E eu preciso, emfim, D'um ser bastante infame!

BENJAMIM com muita humildade:

Aqui me tens, a mim...

UDAS voltando-se, rapido, e agarrando-o brutalmente pela nuca:

Quem és tu?

BENJAMIM avergado, mas sempre humilde:

Sou alguem que te escutava.

O tempo, como vês, não desperdiço...

Não perguntes quem sou. Aqui me tens,

Amigo, ao teu serviço.

UDAS sem o largar:

Ignoro quem tu sejas, mas se acaso

Divulgar o meu odio tencionas,

Juro que em curto praso

No fio de uma lamina abandonas

Co'o meu segredo a vida!

BENJAMIM amigavelmente, em censura carinhosa:

Cala a bôca!

Não blasfemes de coisas respeitaveis.

Venho fazer propostas acceitaveis,

Dizer tudo o que sinto,

E só respondes co'uma furia louca!

Se me has de receber com effusão,

Achando em mim o teu melhor amigo,

Alevantas a mão,

Ameaçador como um guerreiro antigo!

É ser ingrato!

UDAS largando-lhe a nuca, mas agarrando-lhe logo um braço:

Dize-me o que sabes!

BENJAMIM sinceramente:

Ora! sei que a tua alma se abalança, Depois do que houve aqui hontem á noite,