Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 56 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

CLAUDIA apoiando-se nas costas da cadeira por detraz d'elle:

Já respondi.

CLAUDIA apoiando-se nas costas da cadeira por detraz d'elle:

Permaneces?

PONCIO

Decerto, pois me cumpre.

Na perna esquerda sobrepõe a direita, fazendo-a oscillar por longo tempo.

CLAUDIA não podendo conter a intima revolta:

Bella esperança! Hei de viver aqui,

Segundo me parece, eternamente!

—Casou Venus com Marte e foi o Amor O que nasceu da conhecida união;

Casei comtigo, audaz procurador,

A principio amoroso, bom, cortez...

O que nasceu, por fim, d'este consorcio?

Nasceu a Insipidez!

PONCIO enrugando a testa e sem olhar para Claudia:

Pela divina Isis que estás louca,

Ou requintas de véras em maldade!

CLAUDIA

Talvez seja melhor

Não despertar do Nilo a divindade!

—N'estes ultimos annos tenho sido

Verdadeiro modelo de matrona...

Sabes que ambiciona

A minha alma fugir a tal desterro,

E não queres pedir a demissão!

Imaginas talvez ser este o meio

De garantir a minha honestidade?

Pois olha, estás em erro!

Não me curvo a pressões tão aviltantes.

Se não fôr satisfeito o meu desejo,

Perderei todo o pejo...

—Inda possuo algum, valha a verdade!—

E para me vingar bem cruelmente

Serei mais leviana do que d'antes!

PONCIO que se voltára, encarando n'ella, e em tom suasorio:

Tu não vês que deixarmos a Judéa

Não seria prudente?

Tiberio é para nós inexcedivel

Em attenções, e dá-me como prémio