Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 38 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

João

Os nossos companheiros

Em vão procuram com docilidade

Suster o passo á gente leviana...

OÃO

E porquê? Não são elles verdadeiros

Defensores do Mestre?

SIMÃO PEDRA

Mas reflecte...

OÃO

O povo quer seguir-nos? Pois que venha!

SIMÃO PEDRA

Mas pode provocar algum tumulto.

É preciso que a dentro da muralha

Evitemos qualquer indisciplina.

OÃO

Tu que dizes? Que pensamento occulto

Encerram taes palavras? Será crivel

Que te arreceies da imbecil gentalha,

Que anda a rosnar as suas ameaças

Contra a força que temos, invencivel,

Justiceira e tremenda?!

SIMÃO PEDRA

E porque não?

Onde possues algemas e mordaças

Para conter as furias imminentes?

Pode acaso fugir-se a uma traição?

Reflecte bem: devemos ser prudentes,

Evitando que Hanan tenha pretexto

Para exercer emfim uma vingança,

Roubando ao Mestre a preciosa vida.

OÃO, animando-se, cheio de puro enthusiasmo messianico: