Judas: romance lírico em quatro jornadas
João
Os nossos companheiros
Em vão procuram com docilidade
Suster o passo á gente leviana...
OÃO
E porquê? Não são elles verdadeiros
Defensores do Mestre?
SIMÃO PEDRA
Mas reflecte...
OÃO
O povo quer seguir-nos? Pois que venha!
SIMÃO PEDRA
Mas pode provocar algum tumulto.
É preciso que a dentro da muralha
Evitemos qualquer indisciplina.
OÃO
Tu que dizes? Que pensamento occulto
Encerram taes palavras? Será crivel
Que te arreceies da imbecil gentalha,
Que anda a rosnar as suas ameaças
Contra a força que temos, invencivel,
Justiceira e tremenda?!
SIMÃO PEDRA
E porque não?
Onde possues algemas e mordaças
Para conter as furias imminentes?
Pode acaso fugir-se a uma traição?
Reflecte bem: devemos ser prudentes,
Evitando que Hanan tenha pretexto
Para exercer emfim uma vingança,
Roubando ao Mestre a preciosa vida.
OÃO, animando-se, cheio de puro enthusiasmo messianico: