Febre amarela: a doença e a vacina
Apresentação
A relação dos profissionais que participaram da criação deste livro requer apresentações quase tão extensas quanto as de uma película cinematográfica.
Dois pesquisadores da Casa de Oswaldo Cruz dividiram comigo o ônus da empreitada. Aline Lopes Lacerda liderou o complicado processo de levantamento, reprodução, identificação e legendação das centenas de imagens reproduzidas nas páginas que o leitor irá folhear, e que não se limitam a ilustrar o texto, constituindo um percurso alternativo de leitura da história narrada. Aline, que é uma estudiosa da iconografia, assina, no final do livro, uma análise das variadas fontes imagéticas com que travamos contato. Carlos Fidelis Pontes, com a grande experiência que tem de arquivos históricos, abriu as portas dos numerosos acervos que visitamos. Participou de todos os trabalhos, contribuindo para manter alto o astral da equipe com sua simpatia e companheirismo. É um dos principais autores do capítulo mais difícil de elaborar, o "Bio-Manguinhos".
A equipe de auxiliares de pesquisa contratados para a execução do projeto era formada, originalmente, pelos historiadores Morgana Barison, Victor Leandro Chaves Gomes, Marcio Magalhães de Andrade e Marcela Lopes Menequini. Marcela foi a principal coadjuvante de Aline no processamento das imagens, contribuindo, também, com excelentes resumos de materiais às vezes bem indigestos que nossas redes capturaram. Vivenciou duas gestações, a do livro e a do filho, nascido pouco tempo antes. Durante os seis primeiros meses do projeto, Marcio participou da árdua garimpagem de fontes nos arquivos da Casa de Oswaldo Cruz e da Fundação Getúlio Vargas, junto com Victor Leandro Chaves Gomes, encarregando-se os dois de resumir o volumoso material localizado nestes arquivos e de produzir os primeiros amarrados brutos de informação sobre a trajetória do Instituto Oswaldo Cruz, no período 1930 a 1975, e de Bio-Manguinhos depois disso.
Concomitantemente, Morgana realizava trabalho similar com os materiais que se achavam sob a guarda do Laboratório de Febre Amarela. Estavam depositados desordenamente numa sala que entrou em obras, assim que começamos a trabalhar. Antes de poder usar estas fontes, Morgana teve de catalogá-las, de maneira a ordenar e separar o que nos interessava, providenciando a remoção do material para a sala que a Casa de Oswaldo Cruz nos cedeu. Além de resumir relatórios, correspondência, diário e outras fontes textuais, coube-lhe a ingrata tarefa de transformar em tabelas inteligíveis os dados quantitativos da produção da vacina antiamarílica que se encontravam dispersos em documentos produzidos segundo lógicas que variaram bastante no tempo. A interessante análise destes documentos, que se encontra no final do capítulo três, é, basicamente, de sua autoria. Com seu talento organizador, Morgana foi também responsável por nosso meio-de-campo, administrando pagamentos, agendando entrevistas e interligando o pessoal.
Com a saída de Marcio, um apaixonado que decidiu seguir a namorada até os confins do Rio Grande do Sul, incorporou-se à equipe Tatiana Bukowitz. Ela assumiu a rotina do meio-de-campo, já numa fase do trabalho em que a redação dos capítulos ia criando demandas disparatadas que soube administrar com competência. Resumiu boa quantidade de material, saiu à cata de referências bibliográficas, artigos, informações a respeito de fatos ou personagens que conhecíamos imprecisamente, fez, enfim, de tudo um pouco.
O capítulo "Bio-Manguinhos", como disse, foi o mais difícil de estruturar e redigir. Resultou do esforço conjunto de Carlos Fidelis, Victor Leandro, o meu próprio e o de uma grande companheira de viagem, Beatriz Fialho, ex-integrante da equipe de Carlos Grabois Gadelha, da Assessoria de Planejamento da Fundação Oswaldo Cruz. Precisávamos de alguém que nos ajudasse a abordar a trajetória de Bio-Manguinhos com olhar de economista. Não obstante embarcasse num bonde andando já em velocidade acelerada, Beatriz entrou imediatamente em sintonia conosco e abraçou com dedicação o trabalho, indo muito além dos termos do contrato que celebramos com ela.
Na fase de redação dos capítulos, em que a volumosa calda de informações começava a entrar 'no ponto' e a ganhar forma, contamos com outros auxiliares, recrutados, assim, emergencialmente, para ir buscar em arquivos informações destinadas a cobrir lacunas identificadas no texto. Foi o caso de Mirian de Aragão Silva, Martha Nogueira e Luiz Octávio Gomes de Sousa, que são merecedores de toda a nossa gratidão. A participação de Luiz Octávio não se resumiu a isso. Historiador competente, bom de texto, ajudou-nos a dar forma a materiais coligidos por Marcio Magalhães, contribuindo, desse modo, para a redação do primeiro capítulo, que foi o último a ser feito.
O livro traz importante contribuição de dois arquitetos que conviveram intimamente com a equipe, participando das sessões de reflexão coletiva sobre os rumos do trabalho. Renato da Gama-Rosa, do Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz, e seu assistente, Alexandre José de Souza Pessoa, confeccionaram a planta inserida no final do livro, onde se vêem os prédios que formam, ou formaram, o complexo produtor de imunobiológicos de Manguinhos, com verbetes relativos a cada um. Alexandre participou de outra dupla importante, como infográfico, dando apresentação visual caprichada aos gráficos e às tabelas criados pelo estatístico Alcides José de Carvalho Carneiro, com base nos dados coligidos por Morgana Barison.
Luiz Eduardo de Oliveira foi contratado especialmente para fazer o desenho tridimensional seccionado do Laboratório de Vacina contra a Febre Amarela, com cenas relativas a etapas do preparo da vacina. Foi também incluída no livro a ilustração que havia feito anteriormente para a Casa de Oswaldo Cruz, da Cavalariça, no tempo em que era usada para a fabricação de soros.
Certas características pouco usuais do livro foram soluções que tivemos de dar ao problema fundamental do manejo de um tempo curto para realizar, em toda a sua extensão, o projeto desfraldado. Dois outros pesquisadores da Casa de Oswaldo Cruz foram convidados, à última hora, para redigir, como se fossem verbetes, sobre aspectos da saúde pública que nos pareciam importantes para a compreensão dos processos que vínhamos descrevendo. André Campos e Cristina M. Oliveira Fonseca assinam os textos sobre a Fundação SESP e sobre o enquadramento institucional das campanhas sanitárias, respectivamente. O primeiro figura como encarte no capítulo referente à Fundação Rockefeller. O segundo transformou-se num 'entrecapítulos'. Como a palavra não existe no dicionário, denominamo-lo "Interlúdio".
Diva Maria Dias Graciosa é uma revisora especial, que deixou para trás o número de laudas previamente estipuladas no contrato e aderiu à equipe com o maior entusiasmo, sacrificando feriados e fins de semana para ajudar a colocar de pé este texto grandão que vocês vão ler. A beleza gráfica do conjunto é obra de Fernando Vasconcelos, que há anos vem contribuindo para dar aquele toque especial de refinamento estético aos produtos da Casa de Oswaldo Cruz. Já é membro da família, e só um laço desta natureza daria margem à sintonia tão boa entre os turbulentos criadores de casos e textos e aquele que magicamente os transforma neste produto bem-acabado que o leitor tem às mãos.
Os fotógrafos Roberto Jesus Oscar e Vinícius Pequeno, da Casa de Oswaldo Cruz, merecem também ser citados aqui pela paciência com que cuidaram dos pesados encargos que lhes delegamos, de fotografar ou digitalizar as incontáveis imagens do livro.
Encerro esta apresentação dos criadores da obra com algumas palavras sobre a minha participação. Fui o autor do projeto, regi todos os aspectos de sua execução, redigi os capítulos um, dois e três utilizando a matéria-prima preparada pela equipe, e o quarto em colaboração com os pesquisadores já mencionados, cuidando sempre de dar a redação final a tudo o que escreveram. A capa do livro traz o meu nome, mas quero dizer que jamais seria capaz de realizar esta obra sem meus companheiros. Nunca trabalhei com equipe tão boa, com tão perfeita sinergia.
O livro começou a ser preparado em agosto de 2000. Sabíamos então muito pouco a respeito da história da vacina atual contra a febre amarela, e imaginávamos que, sendo ela o carro-chefe de Bio-Manguinhos, com tamanha tradição, fôssemos contar a história consumada de um artefato biológico que hoje é replicado em milhares de doses inoculadas, enfadonhamente, pelo Brasil e o mundo afora.
Logo fomos arrebatados pela extraordinária história desta vacina, por motivos que já seduziram outros autores: a dramaticidade das mortes dos investigadores que lidaram com o perigoso vírus da febre amarela, as bruscas reviravoltas científicas e tecnológicas que marcaram a gestação e os primeiros anos de uso da vacina, as controvérsias que desencadeou, a magnitude do empreendimento sanitário que deu origem a ela, e que ela, por seu turno, alavancou.
Nós, historiadores, nada entendemos de vacinas e, assim, outro motivo de júbilo foi começar a entender esta vacina, não apenas como abstrato objeto descrito em livros e artigos, mas como algo que pudemos palpar nas várias etapas de sua manufatura, vencendo, aos poucos, o estranhamento causado pelos cheiros e ruídos do laboratório, o jargão dos técnicos e a significação à primeira vista confusa das manipulações e maquinismos que se concatenam lá dentro. Foi prazeroso ao extremo compreender sincrônica e diacronicamente a manufatura da vacina, relacionando as observações feitas in loco e ao vivo com as informações textuais e iconográficas que documentam o mesmo processo em épocas sucessivas do passado. A história tornou-se ainda mais dinâmica e interessante quando começamos a confrontar os fatos estabilizados nos textos técnicos com a construção sempre instável deles tal como aparecem nos diários e protocolos de laboratório, nas cartas e relatórios, nos depoimentos de quem suou a camisa para resolver os problemas triviais e os grandes baques que pontuaram a história do laboratório.
Mas ele não é uma ilha, e sim um nó numa vasta rede que o interliga a outros componentes da instituição e a muitas outras instituições dentro e fora do país. Se rastrearmos os insumos utilizados na vacina e se a seguirmos depois que deixa o laboratório, a rede enreda número muito maior de nós: empresas, bancos, agências governamentais e internacionais, grupos sociais diversos, disseminados por diferentes regiões. A apreensão sincrônica e diacrônica do uso social da vacina revelou-se tarefa mais difícil, do ponto de vista da pesquisa, do que foi a produção. Por um lado, devido à maior complexidade metodológica, por outro, por causa da dispersão das fontes e da inexistência de uma historiografia minimamente constituída. Foi mais fácil abordar a questão no período que medeia entre a chegada da febre amarela ao Rio de Janeiro, em 1849-50, e a reconquista da capital brasileira pela doença em 1928-29, porque para este período temos um volume grande de estudos concernentes não apenas à histórica econômica, política e social como à história das políticas de saúde, das doenças e das reações e representações sociais que suscitaram.
Com relação ao período posterior à revolução de 1930, pode-se dizer que a historiografia penetrou ainda muito timidamente nele, o que obriga os pioneiros a despender enorme esforço na busca e análise de fontes primárias para pavimentar o caminho que desejam percorrer com informações básicas que, para a conjuntura anterior, encontram-se em bons livros, ao alcance da mão. E, paradoxalmente, quanto mais perto chegamos do presente, mais difícil é o acesso às fontes primárias. Por um lado, temos instituições modelares como o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, cuja ênfase é a história política, mas que presta serviço inestimável a quem quer se aventurar pela história contemporânea brasileira, em geral. Por outro lado, temos o contra-exemplo do Ministério da Saúde, em Brasília, que tem lá nos seus porões um pequeno grupo de abnegadas iniciando, a duras penas, a catequese do segundo e terceiro escalões para a importância de se guardar os papéis velhos, porque os titulares da pasta não se deram conta ainda de que não haverá nunca a memória da saúde sem estes papéis velhos. Os que sobraram, encontram-se enfiados de qualquer maneira em caixas infectas nos porões do ministério.
Entre Cila e Caribde, navegamos nós durante estes dez meses de trabalho, detendo-nos em outros portos, uns à altura do mítico rochedo, outros terríveis como o torvelinho de Messina. Não houve arquivo e biblioteca do Rio de Janeiro que não freqüentássemos, desde os tradicionais lugares de peregrinação dos historiadores — Biblioteca, Arquivo e Museu Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro etc. — até os arquivos de jornais, o Arquivo Público do Estado, a representação do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, sem falar na própria Casa de Oswaldo Cruz, que ombreia com o CPDOC em matéria de qualidade de serviço prestado à conservação da memória brasileira. A biblioteca nova da Fundação Oswaldo Cruz é outra pérola para o estudioso da biologia e medicina contemporâneas, mas suas coleções históricas, que cheguei a conhecer ao ingressar na instituição, há mais de dez anos, consideradas, nos tempos de Chagas e Oswaldo Cruz, o melhor acervo de medicina da América do Sul, continuam semicerradas no Castelo Mourisco, em recuperação que não termina nunca!
As circunstâncias da vida acadêmica nos permitiram rápidas visitas a dois paraísos onde qualquer historiador da medicina sonha estar: a fantástica biblioteca do Wellcome Institute for the History of Medicine, em Londres, e o Rockefeller Archive Center, em Nova York, depositário de documentos de enorme relevância para a história da saúde brasileira.
Na medida do que foi possível realizar nestes dez meses de intenso labor, optamos por abrir a grande-angular de maneira a situar a trajetória da vacina contra a febre amarela em cenários amplos, deixando pendentes de futuras análises numerosas questões. Supomos que esta talvez seja a principal qualidade do trabalho: abrir caminho para outros que decerto virão lavrar, com mais profundidade, o terreno praticamente virgem da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil contemporâneo. Acreditamos que outra qualidade do trabalho resida em chamar a atenção dos cientistas sociais para a relevância das vacinas como tema de estudo. Possuímos copiosa historiografia sobre a Revolta da Vacina, em 1904, e a mais absoluta ignorância sobre os desdobramentos deste episódio. Isso em parte se deve às mesmas causas que explicam a forte atração exercida pelo século XIX e o começo do XX, também à dificuldade que têm os cientistas sociais de lidar substantivamente com a matéria das ciências da vida e, ainda, a algo que é peculiar à relação com as vacinas, e não exclusivo das ciências sociais. É como se tivéssemos herdado dos revoltosos de 1904 uma intrínseca aversão à coisa.
No quarto capítulo, abordamos a hostilidade que a medicina social nutriu pelos programas maciços de vacinação implementados numa época em que o Brasil e outros países sul-americanos estavam sob o jugo de ditaduras militares. Esta marca autoritária presente no começo e no fim do século é possivelmente uma das razões da esterilidade das ciências sociais em relação ao assunto. Esperamos que o livro ajude a modificar esta tendência, ao assinalar o mundo de fenômenos instigadores e socialmente relevantes que as vacinas e vacinações oferecem à história e a outras disciplinas das ciências humanas.
O livro está dividido em quatro capítulos. No primeiro apresentamos a história das vacinas e dos soros antiamarílicos inventados no decurso da revolução pasteuriana, em fins do século passado, antes de a medicina tropical direcionar para o mosquito transmissor da febre amarela as campanhas contra as epidemias que grassavam nos principais centros urbanos do país. O capítulo mostra a importância que teve a campanha chefiada por Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro para a consolidação do instituto que dirigia. Criado originalmente para produzir soro e vacina contra a peste bubônica, este instituto transformou-se no mais importante centro de pesquisas biomédicas e de produção de imunobiológicos do país. Examinamos o período áureo de seu prestígio e a lenta derrocada, que culminou numa crise intestina de graves proporções, em 1950, justamente no momento em que o Instituto Oswaldo Cruz incorporava o laboratório produtor da vacina contra a febre amarela, criado em 1937, em seus terrenos, pela Fundação Rockefeller.
Ela é o tema do segundo capítulo. Aí descrevemos a concepção do programa de erradicação mundial da doença, arquitetado pouco antes da Primeira Guerra Mundial pela instituição que simboliza, mais do que qualquer outra, a singular potência da filantropia empresarial norte-americana. Narramos os conflitos com os sanitaristas brasileiros durante a implementação do programa no Brasil, enquanto vigorou a equivocada teoria de que a febre amarela era uma doença disseminada por alguns poucos focos situados na orla litorânea do continente. Avaliamos o impacto que teve a descoberta da etiologia viral e da modalidade silvestre da doença, situando neste contexto o desenvolvimento das pesquisas que resultaram na criação do laboratório produtor da vacina antiamarílica, no campus de Manguinhos. Por fim, analisamos a arquitetura e a dinâmica da campanha nacional contra a febre amarela, que conjugou vacinações maciças nos territórios assolados pela febre amarela silvestre com o programa de combate ao transmissor urbano, que resultou na virtual erradicação do Aedes aegypti, nos anos 1950.
No terceiro capítulo, ingressamos nos laboratórios onde a vacina foi e é produzida. Procuramos tornar o processo compreensível aos leigos por meio de texto e imagens. Fizemos uma espécie de arqueologia das técnicas de produção, interligando as sucessivas 'camadas' históricas com o relato dos esforços contínuos feitos pelos técnicos do laboratório para superar dificuldades pontuais ou crônicas da produção da vacina. Embora sejam trazidas até os dias atuais as configurações de natureza sincrônica das diversas etapas do processo de produção, a análise diacrônica de como ele evoluiu tem como centro de gravidade os anos 1950, o momento em que o laboratório foi incorporado ao Instituto Oswaldo Cruz.
Entre o terceiro e o quarto capítulo situa-se o "Interlúdio" a que nos referimos, com as informações necessárias para que o leitor possa compreender minimamente a sucessão de órgãos nacionais de saúde pública que tiveram jurisdição sobre o uso da vacina antiamarílica, desde o Serviço Nacional de Febre Amarela até a atual Fundação Nacional de Saúde.
O quarto capítulo apresenta a trajetória de Bio-Manguinhos, a unidade da Fundação Oswaldo Cruz a que está subordinado o laboratório da vacina contra a febre amarela. Nossa grande-angular buscou capturar aqui as relações da antiamarílica com outras vacinas, a inserção de Bio-Manguinhos na Fundação Oswaldo Cruz e o papel desta instituição nos grandes programas nacionais e internacionais de imunização, criados mais ou menos na mesma época. No terço final deste capítulo reingressamos no laboratório da vacina contra a febre amarela para examinar, em detalhes, as inovações tecnológicas ocorridas a partir de fins dos anos 1970, quando a reinfestação do país pelo Aedes aegypti converteu novamente a febre amarela num dos grandes problemas de saúde pública do Brasil.
Terminamos a preparação deste livro conhecendo muito melhor a vacina e tendo sobre ela a imagem de um artefato biológico com uma história extraordinária ainda palpitante, inacabada... A certa altura dos trabalhos, quando irrompeu o surto de febre amarela em Minas Gerais, tivemos de correr atrás dos acontecimentos dramáticos que continuam a marcar essa história. Paramos, porque o nosso tempo se esgotou.
Como disse, foram apenas dez meses, tempo escasso para digerir a enorme documentação existente sobre a febre amarela e para dar conta de um fenômeno complexo como a produção e o uso de uma vacina de tamanha tradição.
Muitas pessoas nos ajudaram a preparar o livro. Tomo a liberdade de suprimir os títulos, porque todas se nivelam em nossa gratidão. Sérgio Gil Marques dos Santos, autor de estudo pioneiro sobre a história contemporânea da Fiocruz, pôs à nossa disposição até mesmo as fontes que utilizou. Akira Homma, Hermann G. Schatzmayr, Maria da Luz Fernandes Leal, Marcos da Silva Freire, Ricardo Galler, Savitre Gomes de Aguiar, Otávio Oliva, Carlos Frota, Ricardo Machado nos receberam não sei quantas vezes para responder pacientemente às nossas incessantes perguntas. Akira, Nísia Trindade Lima e Marcos de Oliveira fizeram cuidadosa leitura do texto e deram ótimas sugestões para aperfeiçoá-lo. José Fonseca da Cunha e Alberto Romeu Nicolau, dois importantes protagonistas da história da vacina contra a febre amarela, iluminaram nosso caminho com seu saber e experiência. Os filhos de Henrique de Azevedo Penna, o personagem mais criativo dessa história, o arquiteto Ivo e sua irmã, Maria Alice, nos receberam de forma muito simpática em Petrópolis. Waldir Arcoverde e João Baptista Risi Junior, dois importantes arquitetos das campanhas nacionais de imunização, forneceram informações e materiais de grande importância para o trabalho. Maria de Lourdes de Souza Maia, Zouraide Guerra, Márcia Leite e outros batalhadores da FUNASA nos deram grande apoio, franqueando o acesso a toda informação escrita, oral e visual de que necessitamos. Ilana Löwy, grande conhecedora da história da Fundação Rockefeller, fez a gentileza de fornecer-nos os textos que escreveu sobre o assunto, mesmo inéditos.
Darwin H. Stapleton, do Rockefeller Archive Center, fez o possível para que tirássemos proveito da curta estada no arquivo que ele dirige com tanta competência. Selma Duboc e Márcia Rollenberg, no Ministério da Saúde, em Brasília; Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão e Luciana Quillet Heyman, no CPDOC; Maria Marta Saavedra Pinto, Begonha Bedraga, Ivone Pereira de Sá, Paula Xavier dos Santos e Adílson de Almeida Júnior, no Departamento de Documentação da COC, foram de um companheirismo extraordinário, que fazemos questão de retribuir com este muito obrigado. Quero agradecer ainda a dois amigos especiais: Magali Romero Sá, que ajudou a garimpar documentos nas viagens que fizemos juntos e que assumiu obrigações minhas durante o tempo em que estive mergulhado neste trabalho; e Marcos Cueto, outro grande conhecedor da história da Rockefeller, que nunca hesita em estender a mão, fraternalmente, a outros historiadores que seguem atrás, neste fascinante campo de pesquisas.
Jaime Larry Benchimol
Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz