Febre amarela: a doença e a vacina
Histórico dos pavilhões relacionados à produção de imunobiológicos em Manguinhos
Histórico dos pavilhões relacionados à produção
de imunobiológicos em Manguinhos
1 — Pavilhão Mourisco
Anos: 1905-18
Arquiteto: Luiz Moraes Jr.
Prédio principal do Conjunto Arquitetônico Histórico de Manguinhos, foi construído segundo os critérios mais sofisticados em termos de instalações e materiais disponíveis na época.
O arquiteto, de acordo com os anseios de Oswaldo Cruz, inspirou-se nos palácios de Alhambra, em Granada, e de Montsouris, em Paris, realizando uma das obras mais interessantes do ecletismo carioca. Abrigou este pavilhão os laboratórios da primeira e segunda geração de cientistas de Manguinhos. Suas salas servem agora à presidência, às vice-presidências e a áreas de apoio da Fundação Oswaldo Cruz. Da ocupação original restam a coleção entomológica do Instituto Oswaldo Cruz e a Seção de Obras Raras da Biblioteca de Manguinhos.
2 — Pavilhão da Cavalariça
Ano: 1904
Arquiteto: Luiz Moraes Jr.
Abrigando, desde 1986, o Museu da Casa de Oswaldo Cruz, este pavilhão foi construído simultaneamente ao da Peste. Servia para acomodar os cavalos inoculados para a obtenção de outros soros produzidos no instituto. A Cavalariça é uma das construções mais significativas do Conjunto Histórico de Manguinhos, por sua arquitetura sólida e singular, de inspiração inglesa, dotada de modernas instalações que aproveitavam, por exemplo, os gases provenientes da fermentação das fezes dos animais para a iluminação interna.
3 — Pavilhão da Peste
Anos: 1904-05
Arquiteto: Luiz Moraes Jr.
Um dos primeiros prédios projetados por Luiz Moraes para o Instituto Soroterápico, sob a direção de Oswaldo Cruz, destinava-se aos estudos sobre a peste bubônica. Em seus laboratórios se isolava e investigava o bacilo da peste, e se preparava a vacina e o soro antipestosos, mantendo-se isolados ali os cavalos inoculados com o bacilo. De construção esmerada, forma, com os demais pavilhões da praça Pasteur, o Conjunto Arquitetônico Histórico de Manguinhos, tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1981. Atualmente, abriga a direção da Casa de Oswaldo Cruz. É conhecido também como Pavilhão do Relógio, devido à torre que se destaca do meio da construção com um relógio de três faces, ainda em funcionamento.
4 — Pavilhão Vacinogênico ou Vacínico
Ano: 1922
Arquiteto: Luiz Moraes Jr.
Após a morte do proprietário do Instituto Vacínico do Rio de Janeiro, barão de Pedro Afonso (1845-1920), o Serviço de Profilaxia contra a Varíola foi absorvido pelo Instituto Oswaldo Cruz.
A expectativa, na época da construção deste pavilhão, em 1922, era tornar mais eficiente a produção da vacina antivariólica, que foi modernizada em 1959-60. A produção da vacina cessou em 1972, e em 1977, após um período de abandono, o prédio foi novamente reformado, transformando-se na Vila Residencial/Casa Amarela.
5 — Pavilhão da Rockefeller
Anos: 1933-35
Arquiteto: desconhecido
Construído pela Fundação Rockefeller com a colaboração do governo brasileiro, através do Serviço Cooperativo da Febre Amarela, para alojar os estudos e vacina concernentes a esta doença. O Departamento Nacional de Saúde assumiu integralmente a responsabilidade pelo Serviço Nacional de Febre amarela em 1940, mas a Rockefeller conservou o laboratório até 1946, quando passou à jurisdição daquele serviço, sendo incorporado ao Instituto Oswaldo Cruz em janeiro de 1950. Nos anos 1940, lá começou a ser fabricada também a vacina contra a gripe. Em 1976, foi inaugurada, no segundo piso, a usina piloto para a fabricação da vacina contra a meningite. No início da década de 1960, a produção da antiamarílica foi transferida do terceiro piso, que ocupava integralmente, para outro pavilhão (Henrique Aragão). O 'Rockefeller' abrigou por algum tempo um laboratório de desenvolvimento de vacina contra a poliomielite chefiado por Hermann Schatzmayr, que depois se transferiu para a Escola Nacional de Saúde Pública. Vinicius da Fonseca instalou nesse prédio o seu gabinete, ao assumir a presidência da Fundação Oswaldo Cruz. Nos anos 1970, a usina piloto da vacina contra a meningite foi montada no segundo andar deste pavilhão, que, no começo da década seguinte, passou a abrigar, também, a formulação, envase e liofilização da vacina contra o sarampo. O laboratório central de envasamento e liofilização, no primeiro piso, processava também as vacinas contra febre amarela e meningite. No terceiro, funcionavam a produção de diluentes e um pequeno laboratório de reativos. O envasamento e liofilização das vacinas contra a febre amarela e a meningite ainda são feitos neste pavilhão, no primeiro e segundo pisos. No terceiro estão hoje os laboratórios de desenvolvimento de vacinas bacterianas e de produção de reativos.
6 — Pavilhão de Vírus
Ano: 1939
Arquiteto: desconhecido
Projetado pela equipe da Divisão de Obras do Ministério da Educação e Saúde, quando foram retomadas as construções no Instituto Oswaldo Cruz, ao começar a Segunda Guerra Mundial, por iniciativa do diretor, Henrique Aragão, e do ministro Gustavo Capanema. Nas alas deste pavilhão, funcionavam as seções de Vírus, Fisiologia, Helmintologia e Cirurgia Experimental.
Suas instalações abrigavam estufas, câmaras asséptica e frigorífica, ambulatório médico, salas para isolamento de vírus respiratórios, cultura de tecidos, biotério para animais inoculados, além dos laboratórios de histologia, sorologia, helmintologia e entomologia. O pavilhão, batizado de Cardoso Fontes, sofreu várias reformas, e hoje abriga apenas os Departamentos de Virologia e de Helmintologia do Instituto Oswaldo Cruz.
7 — Pavilhão Henrique Aragão (Febre Amarela)
Anos: 1954-60
Arquiteto: Roberto Nadalutti
O projeto do novo laboratório para a preparação das vacinas contra a febre amarela e também varíola foi iniciado em 1952, sendo prevista sua construção na rua Visconde de Santa Isabel, 222, no bairro de Vila Isabel. O diretor, nomeado por Vargas em janeiro de 1954 para apaziguar a crise que antagonizou dois grupos de cientistas em Manguinhos, dr. Francisco da Silva Laranja Filho, convenceu o ministro da Saúde a construir o prédio no campus de Manguinhos. Esta alteração foi objeto de termo aditivo ao contrato, acarretando a supressão do bloco dos fundos, destinado à garagem e ao refeitório. O bloco principal, denominado Pavilhão Henrique Aragão, foi ocupado, ainda incompleto, pelo Laboratório da Vacina contra a Febre Amarela em janeiro de 1960 e sofreu grandes reformas em 1983 e 2000.
8 — Pavilhão Rocha Lima
Anos: 1957-65
Arquiteto: Waldyr Ramos
A maioria dos edifícios levantados no campus de Manguinhos na década de 1960 não pertenciam à estrutura administrativa do Instituto Oswaldo Cruz. O atual Pavilhão Rocha Lima, por exemplo, foi construído para ser um hospital de pneumologia. Depois, abrigou o Departamento de Soros e Vacinas do Ministério da Saúde. Em 1970, a junção deste departamento com o Serviço de Produtos Profiláticos do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu) deu origem ao Instituto Nacional de Produção de Medicamentos (Ipromed). Em 1976, parte deste órgão foi transformada no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, ou Bio-Manguinhos, que passou a ocupar alguns pavimentos deste pavilhão. Em 1979, o Laboratório Central de Controle de Drogas, Medicamentos e Alimentos (LCCDMA) ocupou o quarto piso, provisoriamente, durante a construção do prédio do INCQS.
A partir da década de 1980, passaram a funcionar, no primeiro piso, o setor de produção, meios de cultura, rotulagem, embalagem, estocagem e expedição; no segundo, os laboratórios para formulação e envasamento da vacina contra a poliomielite e o de produção de massa viral da vacina contra o sarampo; e no quarto piso, os laboratórios de poliomielite e de raiva. Apenas o quarto piso teve sua ocupação alterada, passando a abrigar o setor de Desenvolvimento Tecnológico de Bio-Manguinhos. No sexto (e último) piso, estão instalados o controle microbiológico e a direção de Bio-Manguinhos, que inicialmente esteve sediada no Pavilhão Rockefeller. No terceiro e quinto pisos do Rocha Lima estão o Departamento de Bacteriologia e parte do Departamento de Virologia do IOC.
9 — Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde
Anos: 1977-81
Arquitetos: SPL Escritório de Arquitetura
Em 1977, foi extinta a Divisão de Obras, responsável pelos projetos de todos os edifícios do Ministério da Saúde, desde a sua criação em 1934. A Fundação Oswaldo Cruz contratou o escritório de arquitetura SPL para projetar o prédio, que seria a grande atração nas comemorações dos oitenta anos do Instituto Oswaldo Cruz. De configuração circular, distribuindo blocos radialmente a partir da coroa central, inspirado pela arquitetura do Centro de Pesquisa da Petrobrás, de Sérgio Bernardes, o prédio do INCQS foi inaugurado em 4 de setembro de 1981. Foi o sucessor muito mais moderno do Laboratório Central de Controle de Drogas, Medicamentos e Alimentos (LCCDMA), que migrara para o campus de Manguinhos em 1978, sucateado e desprovido de recursos humanos e materiais.
10 — Complexo Tecnológico de Vacinas de Bio-Manguinhos Anos: 1991-98
Arquitetos: Companhia Brasileira de Projetos Industriais (COBRAPI)
O projeto começou a ser desenvolvido em 1985. A área cogitada originalmente para a construção seria o terreno que a Fiocruz possui em Jacarepaguá, mas o projeto acabou sendo implantado em Manguinhos para produzir, a princípio, apenas a vacina DTP. No decurso do Programa de Nacional de Auto-suficiência em Imunobiológicos, alargou-se o seu escopo. O CTV passou a abranger quatro blocos: o Centro de Processamento Final de Imunobiológicos (CPFI), o Centro de Processamento de Antígenos Bacterianos (CPAB), o Centro de Processamento de Antígenos Virais (CPAV) e um bloco de utilidades. Inaugurado em novembro de 1998, o CPFI abriga acabamento de todas as vacinas, bacterianas ou virais, sendo feitas ali as operações de formulação, envase, liofilização, embalagem e rotulagem. Em 1999, o projeto do CTV foi bastante ampliado. O CPAB, então ainda em término de instalação, teve seu uso alterado: em lugar da vacina DTP, passou a ser projetado para processar a vacina contra o Hib e as vacinas antimeningocócicas. Os laboratórios de controle de qualidade, hoje dispersos pelos pavilhões Rocha Lima e Rockefeller, serão concentrados no prédio do CPAV. Foram projetadas novas instalações para a garantia da qualidade e um novo centro de armazenamento de vacinas. O projeto original do CPFI foi adaptado às últimas exigências de boas práticas de fabricação. Em sua etapa final, o Complexo Tecnológico de Vacinas de Bio-Manguinhos contará ainda com uma planta protótipo para desenvolvimento de vacinas bacterianas e uma planta de produção de reativos para diagnóstico. Quando concluir-se o que se projeta para 2003, será a maior unidade produtora de imunizantes da América do Sul, e uma das maiores do mundo em vacinas liofilizadas. Ver: Plano diretor de Bio-Manguinhos.
Bibliografia
• BENCHIMOL, Jaime Larry. Manguinhos, do sonho à vida: a ciência na Belle Epoque. Rio de Janeiro: Fiocruz/COC, 1990.
• OLIVEIRA, Benedito T.; COSTA, Renato da Gama-Rosa; PESSOA, Alexandre de Souza; BRAZIL, Liana Vital. Processo de formação do campus de Manguinhos (1900-2000). In: Anais do VI Seminário de História da Cidade e do Urbanismo. Natal, out. 2000.
• RIBEIRO, Leonídio. Medicina no Brasil. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1940.
• FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ/FIOCRUZ. Guia do acervo da Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro :Fiocruz/COC, 1995.
• FUNDO Fundação Serviços de Saúde Pública.
• Acervo DAD/Fiocruz. z INCQS. Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde. Folder institucional. Rio de Janeiro, fev. 2001.
• FUNDO História Administrativa da Fiocruz. Caixa 13. Mês: julho. Acervo DAD/Fiocruz.
• PLANTA de levantamento arquitetônico realizado pela DO do M.E.S. em 1956. Acervo DAD/Fiocruz.
Plano diretor de Bio-Manguinhos