Febre amarela: a doença e a vacina
O governo Geisel
O lema de Delfim Netto, ministro do Planejamento de Médici e principal artífice do 'milagre', era "esperar o bolo crescer para depois dividir". O que se observou foi intensa concentração de riquezas, crescimento do setor público e das empresas estatais e a substituição da agricultura familiar e de subsistência por grandes projetos agroindustriais, em geral voltados para a exportação. A intensificação do êxodo rural levou vastos contingentes de trabalhadores rurais às periferias miseráveis das grandes cidades, ou aos canteiros de obras e projetos de colonização que se expandiam à sombra da política de expansão da fronteira interna na Amazônia e no Centro-Oeste.
O governo Geisel
Quando começou o governo Geisel, já eram perceptíveis as dificuldades que iriam atingir a economia brasileira na segunda metade da década de 1970: expansão descontrolada da dívida externa, queda do crescimento do setor industrial, índices inflacionários crescentes, passando de 20% para 30%, em 1975, e chegando a 76,8%, em 1979 (Baer, 1988, p. 118).
O governo elaborou o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II
PND)17 com o objetivo de reorientar a estratégia de desenvolvimento, através, sobretudo, de medidas que fortalecessem a área científica e tecnológica, e promovessem a transferência para o país de tecnologia e não apenas de capitais estrangeiros. A coordenação do II PND ficou a cargo do ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, cuja pasta foi transformada em Secretaria de Planejamento da Presidência da República (Seplan), em maio de 1974, estreitando a ligação de seu titular com Geisel.
Economista, ex-chefe do Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPEA), um dos artífices do I Plano Nacional de Desenvolvimento, Reis Veloso deparou-se com crescentes dificuldades para executar as metas do II PND ao longo do governo Geisel, já que não foi atingida a expansão econômica projetada por efeito da crise do petróleo e do aumento considerável da dívida externa.