Febre amarela: a doença e a vacina
Notas
Sistema de lotes-semente de febre amarela 17 DD
Fonte: Fiocruz/Bio-Manguinhos
Notas
1 Durante esta série de passagens, o vírus perdera a capacidade de produzir lesões viscerais ou encefalite fatal em macacos rhesus, mesmo quando injetado por via intracerebral, mantendo a capacidade de imunizar tanto macacos quanto humanos. Em ambas as espécies, produzia — e produz — uma infecção benigna evidenciada por circulação de pequena quantidade de vírus e, às vezes, ligeira reação febril. Em camundongos injetados por via intracerebral, o vírus ainda provoca encefalite mortal, mas com período de incubação aumentado.
2 Sendo necessárias páginas adicionais, recebiam as letras A, B, C etc.,. após o número da página alterada. As páginas revisadas eram rubricadas pelo diretor do laboratório, e as preexistentes, marcadas com 'substituído em (data)', eram guardadas no final do manual, na seção "Trechos substituídos" (pp. 1-2).
3 As histórias e características dessas subamostras seriam descritas por Fox e Penna (1943, pp. 152-72). Em seu Diário, Penna registra em 25 de março de 1942 que estava trabalhando na reorganização de todos os registros de estoque de vacinas por subamostra, em vez de por tipo de vacina, como era feito.
4 Manual da vacina, pp. 4-A, 4-B, 4-C; Diário de H. Penna (1942).
5 J. H. Bauer a Soper, em 5.11.1941; J. H. Bauer a Taylor, em 14.10.1942 (em resposta à carta nº A-358, de 2.10); J. H. Bauer a Kerr, aos cuidados de Taylor (ambos no Rio de Janeiro), em 12.11.1942, em resposta à carta nº A-384, de 26.10.
6 Em fevereiro de 1945, Penna teve de retirar do estoque o lote 858, "por ter o rhesus de controle manifestado paralisia do trem posterior, 24 dias após a injeção, vindo a falecer dez dias mais tarde. Foi feita tentativa de isolamento de vírus do seu cérebro". "Relatório de atividades da Seção de Vacina de janeiro a dezembro de 1945".
7 "Resumo de atividades do laboratório" em 1947. Em setembro, Penna escrevia: "O lote 945, considerado como "semente-secundário", é originário do "sementeprimário" nº 1, e destina-se a substituir, eventualmente, o lote 878, com o qual vêm sendo preparados todos os lotes em uso. Com o fim de se conhecer o poder antigênico dessa nova amostra, algumas provas deverão ser realizadas no campo, dentro em breve." Em outubro, registrou que havia sido preparado um lote de vacina com "semente" 945, e enviado para campo, a fim de se testar o seu poder antigênico.
8 "Resumo das atividades do laboratório" em 1948. Em julho de 1949, foi preparado o milésimo lote de vacina do laboratório do Rio, iniciando-se nova série de numeração, a começar do 1, para evitar um número muito grande de algarismos nos lotes subseqüentes. As vacinas pertencentes à nova série seriam acondicionadas em ampolas de outro tipo. "Resumo das atividades do laboratório" em 1949.
9 A fórmula usada na preparação da solução de Tyrode era: NaCl (8,0 g); KCL (0,2 g); CaCl2 (0,2 g); MgCl2 (0,1 g); NaH2PO4 (0,05 g); NaHCO3 (1,0 g); glicose (1,0 g); água para completar (1.000 c.c.).
10 Na ocasião de semear a passagem subseqüente, porções de líquido sobrenadante eram inoculadas em caldo glicosado e num grupo de seis camundongos. O caldo era incubado a 37ºC e observado diariamente para ver se cresciam bactérias, e os camundongos eram observados para ver se apresentavam encefalite. O resto do líquido sobrenadante era recolhido, misturado com partes iguais de soro humano normal, distribuído em ampolas, em volumes de 3 c.c., e dessecado. Manual da vacina, pp. 6-7.
11 Escolhiam-se para 'semente' aqueles que apresentassem "título" superior a 10.000 DML. O número usado para expressar o título, isto é, a concentração e potência dos vírus existentes na vacina, indica a diluição na qual volumes de 0,03 c.c. inoculados por via intracerebral em camundongos matam 50% desses animais. Explicaremos melhor isso adiante. Os lotes semente podiam ser usados em diluições de, pelo menos, 1:20 para inoculação dos embriões. Manual da vacina, p. 4-C; Penna, 1956, pp. 71-2.
12 "Novos lotes semente primários e secundários devem ser testados para viscerotropismo, imunogenicidade e neurotropismo em um grupo de dez macacos. No teste de neurotropismo, os macacos inoculados com o vírus do lote semente devem ser comparados com grupo similar de dez macacos injetados com um vírus de referência". Nestes testes têm de ser usados exemplares de Macaca mulatta (o rhesus) ou Macaca fascicularis (o cynomolgus) WHO. Expert Committee on Biological Standardization, 1998, p. 37.
13 Em 1942, Penna experimentou também injetar 0,03 c.c. em vez de 0,06 c.c. de inóculo, para diminuir a mortalidade dos embriões por traumatismo. O vírus seria concentrado para compensar a redução do volume de inóculo.
14 O aparelho desenvolvido por Penna, para abrir ovo por ovo, foi aperfeiçoado por Pickels (1942, pp. 224-8).
15 Segundo Penna, em 1956 (p. 73) "a percentagem de contaminação nos últimos dez lotes de ovos abertos no laboratório do Rio de Janeiro, compreendendo 112 sublotes de embriões, foi de 10.9. O número médio de embriões por sublote foi de noventa." Bastões gram-negativos eram os contaminantes mais comuns, mas ainda não se sabia se provinham das cascas ou do interior dos ovos.
16 Nome comercial da alumina cristalizada, obtida pela fusão da bauxita em forno elétrico, usada como abrasivo ou refratário.
17 Em fluidos, processo de transmissão de calor que é acompanhado por um transporte de massa efetuado pelas correntes que se formam no seio do fluido.
18 As instalações do quarto frio, que não estavam funcionando devidamente, foram reformadas em dezembro. Com novas válvulas de maior capacidade, um sistema de degelo inteiramente modificado e um cano de sucção de maior calibre, obteve-se um degelo que Penna qualificou de "perfeito e a temperatura de cerca de trinta graus abaixo de zero pode ser mantida, mesmo nos dias de maior calor". Nem todo o material existia na praça, o que obrigou à confecção de peças substitutas. "Resumo das atividades do laboratório" em 1949.
19 Era importante que o azoto fosse de boa qualidade, isto é, sem oxigênio. Em casos excepcionais, em feriados, por exemplo, o segundo período podia ser prolongado por mais 24 horas, mas no quarto frio. Podia haver um terceiro período de 24 horas com P O 25 quando a substância desse mostras de estar muito úmida ao ser retirada.
20 O aparelho era o resultado da adaptação de um motor de máquina de costura Singer a um cabo flexível de broca de dentista com um pequeno esmeril em forma de disco na extremidade (Manual da vacina, p. 42-B). Os padrões para a manufatura e controle da vacina contra a febre amarela estabelecidos pelas Nações Unidas em 1945 recomendavam que fosse afixado em cada ampola um rótulo com informações sobre a vacina. Os rótulos eram danificados ou se desprendiam durante o transporte das ampolas em recipientes com gelo. As do laboratório do Rio de Janeiro passaram a ser marcadas na fábrica com o número de lote da vacina, em grupos de 1.050, com tinta especial aplicada quente (Penna, 1956, p. 77).
21 O dessecante químico só participava nesta fase do processo: um frasco com essa substância higroscópica era conectado a uma das saídas, que funcionava como escapamento para evitar o aumento na pressão do ar pelo aquecimento do nitrogênio durante a operação de selagem.
22 Para se analisar variações nos resultados de dosagens, anotavam-se os seguintes dados nos protocolos: 1. nome da pessoa que fez a dosagem; 2. idade dos camundongos; 3. subcepa dos camundongos; 4. descrição detalhada do material dosado; 5. tempo gasto em reidratar o material; 6. descrição do soro usado no diluente; 7. PH do diluente; 8. temperatura do diluente; 9. condições atmosféricas durante o período de observação dos camundongos, especialmente a temperatura na sala dos camundongos; 10. quaisquer acontecimentos fora do comum observados durante a dosagem, desde a abertura dos recipientes até a ocasião de descartar os camundongos. Os camundongos, da raça Swiss, com 21 dias ou mais, eram mantidos em caixas de ferro galvanizado, com seis animais em cada caixa, e observados diariamente. Manual da vacina, p. 47-B, C.
23 Artigo XI da "International Sanitary Convention for Aerial Navigation", 1944, estabelecido pela United Nations Relief and Rehabilitation Administration.
24 Segundo o Manual da vacina, a diluição usada no campo devia ser tal que o volume standard de 0,5 c.c. contivesse, pelo menos, 1.000 DML. Em dezembro de 1943, Penna escreveu: "Título de vacina satisfatório significa dizer que os controles efetuados determinam título de vírus alto o bastante para permitir que cada pessoa vacinada receba pelo menos 1.000 MLD para camundongos, quando a diluição utilizada for de 1:100". Com muita freqüência, porém, as vacinas chegavam às pessoas com título de 1:6.000 no momento em que eram administradas, o que correspondia a aproximadamente 200.000 LD por ml. "Resumo de 50 atividades da Seção de Vacina", 1/1-31/12-43; Penna, 1956, p.86.
Fluxograma
Pavilhão Henrique Aragão que abriga o laboratório da vacina
contra a febre amarela da Fundação Oswaldo Cruz
Reprodução/Coc/Fiocruz
Laboratório de vacina contra a febre amarela