Febre amarela: a doença e a vacina

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 41 de 87

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Febre amarela: a doença e a vacina

A vacina

Imagem de abertura: A vacina de febre amarela já liofilizada.

Bio-Manguinhos/Fiocruz

A vacina contra a febre amarela começou a ser produzida no Rio de Janeiro com uma amostra do vírus 17D trazida de Nova York por Hugh H. Smith, em 1937. Essa amostra provinha daquele vírus extraído do africano Asibi, dez anos antes, e que viera sendo modificado por culturas sucessivas em meios diversos — macacos, mosquitos, tecido embrionário de camundongo com soros normais e heterólogos — até se chegar às passagens seriadas in vitro, em meio de cultura contendo tecido de embrião de galinha despojado do sistema nervoso central. A partir da subcultura 214 — contada desde o Asibi original —, foram iniciadas muitas séries paralelas, algumas por passagem direta em ovos embrionados. Essas séries conservavam, mais ou menos inalteradas, as características

benignas para macacos e homens do vírus "camarada"1, ainda que se verificassem pequenas variações na velocidade e intensidade de sua replicação na cultura em tecido ou em ovos embrionados.

O material trazido para o Brasil provinha de duas séries paralelas de cultura em tecido designadas como 17D e 17DD. A primeira havia sofrido 150 passagens, chegando aqui em forma dessecada. A série 17DD era a 229ª subcultura, e parte dela foi trazida sob a forma de um lote de vacina preparado em Nova York (n.º 41).

Os números indicadores dessas subculturas continuaram a crescer no Laboratório do Serviço Especial de Profilaxia da Febre Amarela, no Rio de Janeiro, à medida que iam se sucedendo as passagens do vírus in vitro por meio de cultura que continha tecido de embrião de galinha desnervado, ou por ovos embrionados, extraindo-se, a cada passagem, o material destinado aos lotes de vacina e a lotes que eram usados para inseminar nova rodada de ovos, e nova colheita de vacina e inóculo.