Dom Quixote

Miguel de Cervantes · Apêndice

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Dom Quixote

Notas

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.

 

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O engenhoso fidalgo dom Quixote de la Mancha

primeira parte

prólogo

1. Cervantes esteve preso duas vezes em Sevilha, em 1592 e 1597, por complicações em

seu cargo de coletor de impostos.

2. Cervantes tinha 57 anos quando escreveu essas linhas e não publicava nada fazia vinte

anos, desde A Galateia (1585).

3. “A liberdade não se compra com ouro.” Esopo, Fábulas, iii, 14.

4. “Que a pálida morte vá tanto à choça do pobre como ao palácio do rei.” Horácio,

Carminum, i, 4.

5. “E eu vos digo: amai aos vossos inimigos.” Mateus, 5,44.

6. “Do coração procedem os maus pensamentos.” Mateus, 15,19.

7. “Quando és feliz, tens muitos amigos. Em maus tempos, ficas só.” A passagem está em

Ovídio, Tristia, i, 9, 5-6, e não em Catão.

8. Saudação de despedida, em latim, que significa “conserva-te são”.

versos preliminares

1. Maga protetora de Amadis de Gaula.

2. As décimas de “cabo roto” (final quebrado), isto é, em que se suprime a sílaba (ou

sílabas) seguinte à última acentuada, eram próprias da poesia cômica.

3. A amada de Amadis de Gaula. O castelo de Miraflores, mencionado a seguir, estava a

duas léguas de Londres.

4. No original, lê-se “poeta entreverado”, misturado, interpolado, mas como nem ele nem

os versos parecem fazer parte do conjunto, pois Donoso não é personagem dos livros de cavalaria, como os restantes citados nesses versos preliminares, preferi “misturado”. (n. t.)

5. A Celestina (1499), de Fernando de Rojas.

6. Refere-se ao episódio do primeiro tratado de Vida de Lazarillo de Tormes y de sus

fortunas y adversidades ( 1554, de autor desconhecido), em que o pícaro Lázaro utiliza uma palha como canudo para beber vinho do copo de seu amo, que, por ser cego, não percebe a artimanha.

7. Protagonista de Espejo de príncipes y caballeros (1555), de Diego Ortúñez de

Calahorra.

capítulo i

1. Autor da Segunda comedia de Celestina e de vários livros de cavalaria, como Lisuarte

de Grecia, Amadís de Grecia, Florisel de Niqueia e Rogel de Grecia.

2. Sigüenza e Osuna eram universidades menores, muito citadas nos clássicos espanhóis.

3. Amadis da Grécia, que tinha uma espada vermelha estampada no peito.

4. O cavalo de Gonela, bufão do duque de Ferrara, era famoso por sua fraqueza. “Era só

pele e ossos”, em latim, frase da comédia Aulularia, de Plauto.

capítulo ii

1. Armas brancas: as que não tinham nenhuma divisa ou insígnia, próprias de cavaleiro

que ainda não realizou nenhuma façanha.

2. Nesta fala, como nas próximas, dom Quixote tenta imitar a linguagem medieval dos

livros de cavalaria, com termos arcaicos e empolados.

3. Primeiros dois versos de um velho romance da época, cuja continuação o hospedeiro

parafraseia em sua resposta.

4. Versos iniciais do romance de Lancelot, adaptado à ocasião.

capítulo iii

1. Todos bairros mal-afamados.

capítulo iv

1. Desmentir alguém era considerado desrespeitoso a qualquer um que o presenciasse.

capítulo v

1. Romance do marquês de Mântua, que conta a derrota em combate de Valdovinos

(Baudoin), seu sobrinho, para Carloto (Charlot), filho de Carlos Magno.

2. O romance de El abencerraje y la formosa jarifa foi incluído em La Diana de Jorge de

Montemayor a partir da edição de 1561. “Abencerraje” é o indivíduo de uma família do reino muçulmano de Granada.

3. Os Nove da Fama foram três judeus: Josué, Davi e Judas Macabeu; três pagãos:

Alexandre, Heitor e Júlio César; e três cristãos: o rei Artur, Carlos Magno e Godofredo de Bolonha.

4. A sobrinha se engana: Alquife, marido de Urganda, a Desconhecida, assim chamada

porque mudava de aparência. “Esquife”, em gíria, significa “pilantra”.

capítulo vi

1. Los cuatro libros del virtuoso caballero Amadís de Gaula, de Garci Rodríguez de

Montalvo. A primeira edição conservada é de 1508, mas antes houve pelo menos outra, de 1496.

2. Las sergas de Esplandián (1510), de Garci Rodríguez de Montalvo, é a continuação de

Amadís de Gaula.

3. Nono livro da série dos Amadises, escrito por Feliciano de Silva (1530).

4. Historia del invencible caballero don Olivante de Laura, príncipe de Macedonia, que

vino a ser emperador de Constantinopla ( 1564), de Antonio de Torquemada.

5. O Jardín de flores curiosas (1579) é uma junção de notícias extraordinárias. Cervantes o

aproveitou no Persiles.

6. Trata-se da Primera parte de la grande historia del muy animoso y esforzado príncipe

Felixmarte de Hircania y de su estraño nacimiento (1556), de Melchor Ortega.

7. Crónica del muy valiente y esforzado caballero Platir, hijo del emperador Primaleón

( 1533), livro anônimo do ciclo dos Palmeirins.

8. Adaptação em prosa do Orlando innamorato, de Matteo Boiardo, feita por Pero López

de Santamaría e Pedro de Reinosa ( 1586).

9. Um dos Doze Pares e conselheiro de Carlos Magno. Atribui-se a ele uma crônica

novelesca intitulada Historia Caroli magni et Rotholandi, daí a ironia.

10. Poeta italiano (1441-94), autor de Orlando innamorato (1492).

11. Autor de Orlando furioso (1516-32).

12. Atribuído a Francisco Vázquez (1511), é o primeiro da série dos Palmeirins.

13. Obra do português Francisco Moraes (1545) traduzida para o espanhol por Luis de

Hurtado com o título de Libro del muy esforzado caballero Palmerín de Inglaterra, hijo del rey don Duardos ( 1547).

14. Don Belianís de Grecia (1547-79), de Jerónimo Fernández, já foi citado num dos

sonetos preliminares e no primeiro capítulo.

15. Livro de Joanot Martorell, de 1490. Cervantes devia conhecer a tradução anônima

espanhola de 1511.

16. Este parágrafo é considerado a grande charada do livro. Ele começa e termina

elogiando. Agora, no meio, há a seguinte frase, considerada a mais obscura por Diego Clemencín, um dos mais conhecidos editores de Cervantes: “Con todo eso, os digo que merecía el que le compuso, pues no hizo tantas necedades de industria, que le echaran a galeras por todos los años de su vida”. Pensou-se que o autor tinha sido condenado às galés e que faltasse um “não” antes de “merecia”. Mas o autor não foi condenado a nada. Daí, entre as muitas interpretações, a de Martín de Riquer é considerada a mais provável, já que parece haver um jogo de palavras entre mandar para as galés, condenar ao remo e imprimir um livro, porque a fôrma onde ia a composição também se chama galé. Parece? Acho gozada a dúvida dos especialistas: Cervantes é cheio desses jogos de palavras. Enfim, o significado da passagem seria este: “O Tirant é um livro divertido e diferente dos outros livros de cavalaria, mas apesar disso Diego de Gumiel, já que não compôs (ou seja, imprimiu) tantas necedades (ou seja, episódios divertidos) de propósito, merecia passar todos os dias de sua vida imprimindo”.

Tudo muito bem, mas a metamorfose de necedades (que vem de néscio, claro) não me convence. Então, jogando com a frase de um lado para o outro, encontrei: “Por tudo isso (as qualidades listadas anteriormente), vos digo que quem o compôs merecia ser levado às galés (no sentido de imprimir) por todos os dias de sua vida, pois não fez tantas tolices de propósito (como os outros autores de livros de cavalaria)”. Não me parece que eu force a mão ou adivinhe mais do que De Riquer. Mas espero fazer mais sentido.

17. Segunda parte de La Diana (1563), de Alonso Pérez, médico de Salamanca.

18. La Diana enamorada (1564), considerada a melhor continuação da obra de

Montemayor.

19. Na verdade, de Alghero. O livro foi publicado em Barcelona em 1573.

20. Romances pastoris de Bernardo de la Vega (1591), Bernardo González de Bobadilla

( 1587) e Bartolomé López de Enciso (1586), respectivamente.

21. De Luis Gálvez de Montalvo (1582).

22. Antologia de Pedro de Padilha, publicada em 1580 e reeditada em 1587.

23. Publicado em Madri em 1586, com dois poemas de Cervantes.

24. Publicado em 1585.

25. Poema épico em três partes sobre a conquista do Chile, publicadas em 1569 e 1589.

26. Epopeia de 1584 sobre as façanhas de Juan de Áustria, entre elas, a batalha de Lepanto.

27. Poema sobre a fundação do mosteiro de Montserrat, de 1587.

28. O título verdadeiro desse poema é Primera parte de Angélica (1586), de Luis Barahona

de Soto. É a continuação do episódio de Angélica e Medoro do Orlando furioso.

capítulo vii

1. Poema épico de Jerónimo Sempere (1560).

2. Obra de Pedro de la Vecilla Castellanos (1586) sobre a história da cidade de León.

3. Frestão é o mago e o suposto autor de Belianís de Grecia.

4. Escudo redondo, pequeno, de madeira.

capítulo viii

1. O bulbo da chicória, moído e fervido, era usado como sonífero.

2. No original se lê que o frade “puso piernas al castillo de su buena mula”, o que

literalmente significa: “pôs pernas ao castelo de sua boa mula”. Como a frase é esquisita, quase todos os tradutores trataram de contornar o castelo. Nas edições espanholas, há sempre uma nota explicando que se trata de uma mula enorme. É bem provável, se pensarmos em dezenas de outras saídas semelhantes no texto de Cervantes. Mas “no castelo de sua boa mula”? Parece-me mais um erro de revisão: é fácil confundir castillo com costilla. (n. t.)

3. Personagem de Amadís, que ameaçava com essa frase ao entrar em combate.

segunda parte

capítulo ix

1. Versos de Alvar Gómez de Ciudad Real em sua tradução de Petrarca.

2. Sedero, no original. Alguém que lida com seda. Como faz pouco sentido um mercador

de seda comprar papéis velhos, fiquei com a opção de Almir de Andrade e Milton Amado, os primeiros tradutores brasileiros do Quixote. (n. t.)

3. Mourisco é o mouro batizado, que ficou na Espanha. Aljamiado é quem lê o texto

espanhol escrito em caracteres árabes.

capítulo x

1. O título se refere à aventura do basco, já terminada, e à dos galegos, que se passa no

capítulo xv. Isso e outros detalhes no texto apoiam a tese de que os capítulos xi-xiv são uma interpolação de Cervantes de um episódio redigido depois do narrado nos capítulos x e xv.

2. Instituição armada que perseguia criminosos. Seus membros eram chamados

quadrilheiros, como se verá em outros episódios.

3. Gigante sarraceno, personagem da História de Carlos Magno, preso e convertido ao

cristianismo por Oliveiros, par de França. Roubou em Jerusalém dois barriletes desse remédio milagroso, feito com os restos dos perfumes usados para se embalsamar o corpo de Jesus Cristo.

4. Rei muçulmano derrotado por Reinaldos de Montalbán, quando tira o elmo dele no

Orlando innamorato de Boiardo.

5. Foi Dardinel de Almonte que morreu ao tentar recuperar o precioso elmo no Orlando

furioso de Ariosto, enquanto Sacripante lutou com Reinaldos por Angélica.

6. Reino imaginário de Galaor, irmão de Amadis.

capítulo xii

1. Sara, mulher de Abraão, viveu 127 anos, tendo ainda batido um recorde: teve o filho

Isaac aos noventa.

capítulo xiii

1. Virgílio. Queria que se queimasse a Eneida, porque não teve tempo de corrigi-la.

terceira parte

capítulo xv

1. Nome da célebre espada do Cid, que se tornou sinônimo de espada ou arma.

2. Sileno foi professor de Baco, sim, mas dom Quixote confunde Tebas de Beócia, onde

nasceu o deus do riso, com Tebas do Egito, a Cidade das Cem Portas.

capítulo xvi

1. Crónica de los nobles caballeros Tablante de Ricamonte y Jofre, hijo de Donasón

( 1513); Tomillas, personagem secundário da Historia de Enrique, fi de Oliva (1498).

2. Os chefes dos pelotões da Santa Irmandade levavam um bastão pequeno, de cor verde,

chamado de meia vara, e um cilindro de metal com os documentos que confirmavam seu cargo e sua autoridade.

capítulo xvii

1. “Bom homem” era tratamento depreciativo, reservado à gente de baixa condição.

capítulo xviii

1. Amadis da Grécia, bisneto de Amadis de Gaula.

2. Ceilão.

3. Povo do extremo sul da então chamada Líbia, que na tradição era considerada o lugar

habitado mais meridional da Terra.

4. “Pierres Papín”, no original. Nome de personagem folclórico relacionado aos jogos de

carta. ( n. t.)

5. Trata-se de Pedacio Dioscórides Anazarbeo, acerca de la materia medicinal (1555),

traduzido para o espanhol, comentado e ilustrado pelo dr. Andrés Laguna.

capítulo xix

1. “Muchos encamisados”, no original. “Encamisada” era um assalto noturno em que os

soldados vestiam camisas brancas sobre as armaduras para se distinguirem dos inimigos. Ou “mascarada”, uma diversão noturna, feita durante as festas públicas, com tochas. (n. t.)

2. Rodolfo Schevill sugere a interpolação para resolver o problema dessa fala, que seria

absurdo atribuir a Sancho, resolvendo também a segunda saída do bacharel.

3. Frase da decisão do Concílio de Trento (“conforme o seguinte, ‘Se alguém, persuadido

pelo demônio’”) que decreta a excomunhão de quem bate num clérigo.

capítulo xx

1. Sancho confunde com “censorino”: Catão, o Censor.

2. Máquina que comprime e bate o pano para torná-lo mais encorpado. É composto de

maços de madeira movidos por uma roda-d’água. (n. t.)

 

À

3. À moda turca.

capítulo xxi

1. “Aquilo” são os órgãos genitais, que contêm a substância medicinal que possui.

Acreditava-se que o castor se castrava para sobreviver.

2. Troca de capas. Os cardeais e prelados, em cerimônia que assinala o fim da quaresma,

trocavam as capas vermelhas por outras forradas de seda roxa.

3. “Hidalgo de devengar quinientos sueldos” refere-se à pena que se exigia de quem

ofendesse gravemente um desses fidalgos.

capítulo xxii

1. Alusão às quatro patas dos animais. Expressão também usada no Brasil, no Rio Grande

do Sul e no Mato Grosso. (n. t.)

2. Relaciona-se esse personagem com um certo Jerónimo de Pasamonte, soldado que serviu

em várias das mesmas campanhas em que Cervantes tomou parte, e autor, como Ginés, de uma autobiografia: Vida y trabajos de Gerónimo de Pasamonte.

capítulo xxiii

1. Na edição princeps, não consta o roubo do burro de Sancho. A cena é intercalada aqui

na segunda edição de 1605, e geralmente seguida pelas edições modernas. Mas Sancho continua acompanhado de seu burro até o capítulo xxv, o que levou Hartzenbusch, em sua edição de 1863, a deslocar a passagem para lá.

capítulo xxiv

1. Até o Concílio de Trento, uma mera promessa de casamento, enquanto os namorados se

davam as mãos, era considerada tão válida como o juramento feito durante uma cerimônia religiosa. As trapaças produzidas à sombra de tal situação e as múltiplas contingências ligadas aos casamentos secretos ou clandestinos, que na prática subsistiram depois de Trento, foram fonte inesgotável para o teatro e o romance dos séculos xvi e xvii.

2. Refere-se ao 11o livro da série de Amadís, de Feliciano de Silva: Crónica del muy

excelente Príncipe don Florisel de Niqueia, en la qual trata de las grandes hazañas de los excelentisimos príncipes don Rogel de Grecia y el segundo Agesilao (1535).

3. Agesilao e Arlanges, dois personagens do romance, adotam esses nomes quando se

passam por mulheres.

4. Nenhuma das três Madásimas de Amadís foi rainha e nenhuma teve relações com o

cirurgião Elisabat. Cardênio a confundiu — e dom Quixote também, mais à frente — com a infanta Gracinda.

capítulo xxv

1. Alusão à figura alegórica da Ocasião, calva, com um topete na testa.

2. Desde Hartzenbusch (1863), em geral se intercala aqui o roubo do burro de Sancho,

embora muitos editores continuem preferindo o capítulo xxiii. Não há dúvida da autenticidade da passagem. Dom Quixote aludiu ao burro antes de informar Sancho do projeto de sua penitência e Sancho se refere a sua perda agora, ao voltar a falar.

3. Hipogrifo, cavalo alado do Orlando furioso. Frontino foi o cavalo que a donzela

Bradamante, na mesma obra, deu a Rugero, que empreendeu uma série de aventuras que o mantiveram longe dela.

4. Pela primeira vez na edição princeps se menciona a “falta do burro”, que, no entanto,

Sancho esporeava ainda no começo deste capítulo.

5. A frase correta é: “Quia in inferno nulla est redemptio” (No inferno não há redenção).

Segundo Sancho, no inferno não há detenção.

capítulo xxvi

1. O episódio procede de Ariosto, mas não era Roland, e sim Ferragut quem protegia seu

umbigo com sete pranchas de ferro, o único lugar em que podiam feri-lo.

2. Medoro era pajem de Dardinel de Almonte, não de Agramante.

3. Na segunda edição de 1605, substituiu-se desde “e se encomendar” até “um milhão de

ave-marias” por “e assim farei eu. E lhe serviram de rosário dez grandes agalhas de um sobreiro, que ensartou”. A correção sem dúvida é de Cervantes.

capítulo xxvii

1. A lista inclui pagãos (Caio Mário, Lúcio Sérgio Catilina e Cornélio Sila, políticos

romanos citados como corruptos), cristãos (Galalão, que traiu Roland; Vellido Dolfos, que assassinou Sancho ii de Castela; e o conde dom Julián, que permitiu a invasão da Península pelos árabes) e um judeu (Judas, o apóstolo que traiu Jesus Cristo).

quarta parte

capítulo xxix

1. Zulema é um monte próximo de Alcalá de Henares (Compluto), na estrada de Loeches.

2. Nome dado ao golfo do mar Negro, na Cítia, região famosa por sua crueldade e

barbárie.

capítulo xxx

1. Tinácrio, o Mago, personagem da continuação de El caballero del Febo, de Pedro de la

Sierra.

2. A passagem entre colchetes, que trata do achado do burro de Sacho, omitido na edição

princeps, foi intercalada aqui na segunda edição.

capítulo xxxi

1. Os ciganos pingavam umas gotas de mercúrio nos ouvidos dos animais que queriam

vender, para parecerem mais animados.

capítulo xxxii

1. Los cuatro libros del valeroso caballero don Cirongilio de Tracia, de Bernardo de

Vargas (Sevilha, 1545).

2. A partir da edição de 1580, a Crónica del Gran Capitán ia acompanhada da biografia

do soldado García de Paredes (1466-1530), famoso por sua força extraordinária.

3. Abrindo-se a parte superior de uma vagem de fava e tirando uma semente, fazia-se um

bonequinho que parecia um frade.

4. Os estalajadeiros tinham fama de ser mouros.

capítulo xxxiii

1. “Até o altar”, “inferindo que o amigo deve fazer por seu amigo tudo aquilo que não for

contra Deus” (Cervantes, no entremez El viejo celoso); era modismo clássico.

2. Luigi Tansillo (1510-68) é o autor de Le lacrime de san Pietro (1585), obra traduzida

para o espanhol por Luis Gálvez de Montalvo em 1587.

3. No Orlando de Ariosto aparece uma taça encantada que derrama vinho sobre o marido

que a mulher traiu; Reinaldos de Montalbán se recusou a se submeter à prova.

capítulo xxxv

1. A batalha de Cerignola (1503), em que participou Odet de Foix, visconde de Lautrec.

capítulo xxxvi

1. A batalha aconteceu no capítulo anterior. A incongruência tem a ver, mais uma vez, com

as mudanças de última hora que Cervantes introduziu no original.

2. Era comum o uso de máscara para viagem como proteção contra a poeira.

3. Sela grande, com arção semicircular e o estribo do mesmo lado, em que cavalgavam as

mulheres usando saia.

capítulo xxxvii

1. “Lela” é fórmula de tratamento, equivalente a “senhora”.

2. Lucas 2,13-14.

3. Citações dos Evangelhos (Mateus, 10,12 etc.).

4. Sirtes: bancos de areia, principalmente no golfo da Líbia; Cila e Caribdes: penhascos do

estreito de Messina.

capítulo xxxix

1. O quartel-general do duque de Alba, enviado para reprimir a rebelião de Flandres,

ficava em Alessandria della Paglia.

2. Trata-se dos condes de Egmont e Horne, acusados de rebelião contra a Espanha e

executados em Bruxelas, em 5 de junho de 1568, por ordem do duque de Alba.

3. Assim se chamava o capitão de Cervantes em Lepanto.

4. No começo de setembro de 1570 os turcos controlavam quase toda a ilha de Chipre,

enquanto a Santa Aliança, sob a inspiração de Pio v, foi formada em maio de 1571.

5. A frota espanhola chegou a Messina (Sicília) em 24 de agosto de 1571.

6. A batalha de Lepanto (7 de outubro de 1571).

7. Euch Ali, renegado calabrês, rei de Argel, Trípoli e Túnis, foi almirante da esquadra

turca. Em Lepanto, enganou os genoveses e escapou com trinta galeras.

8. Juan Andrea Doria, almirante da esquadra genovesa.

9. Mulei: senhor absoluto. Dom Juan de Áustria impôs Mulei Hamet no trono de Túnis,

em 1573, que tinha sido usurpado por Euch Ali ao depor o irmão de Hamet, Hamida, que por sua vez havia derrotado o próprio pai.

capítulo xl

1. Giacomo Paleazzo, conhecido como Fratín ou Il Fratino, engenheiro italiano a serviço

de Carlos v e Felipe ii.

2. Ou Hadji Murad. Era filho de cristãos, mas tornou-se renegado e pessoa muito

importante em Argel. A Pata, ou Al-Batha, era uma fortaleza em território argelino, a duas léguas de Orã.

3. Região do Magreb controlada pelos turcos; corresponde às atuais Líbia, Argélia e Túnis.

capítulo xli

1. Mami, o albanês, que capturou em 1575 a galera em que Cervantes voltava para a

Espanha.

2. Antiga moeda de ouro turca que também circulava no Oriente.

3. Lembra a lenda dos amores do rei dom Rodrigo e a Cava, filha do conde dom Julián,

que provocou a invasão árabe da Espanha visigoda.

4. Duas balas ligadas por correntes para cortar mastros.

capítulo xlii

1. Era normal que os viajantes ricos levassem às estalagens inclusive sua própria cama.

capítulo xliii

1. Lirgandeu é o mago narrador das aventuras do Cavaleiro do Febo; Alquife, o marido de

Urganda em Amadís de Gaula.

capítulo xlv

1. Episódio do Orlando furioso em que Agramante e o rei Sobrino enfrentam Carlos

Magno.

capítulo xlvi

1. A pax octaviana, longo período de paz no Império Romano durante o governo de

Otávio Augusto, depois das guerras civis.

2. “Como era no princípio”, citação da oração Gloria Patri.

capítulo xlvii

1. Zoroastes, Zoroastro ou Zaratustra era o rei persa a quem se atribuía a invenção da

magia.

2. Cervantes a publicou em 1613 no volume Novelas exemplares, mas antes havia

circulado em manuscrito numa primeira redação.

3. A Summa Summularum (1557) de Gaspar Cardillo de Villalpando, obra que resume e

ao mesmo tempo renova a dialética escolástica tradicional; era livro-texto universitário.

4. Tipos de magos da Antiguidade: pensava-se que os bracmanes ou brâmanes eram

seguidores de Pitágoras; os gimnosofistas eram uma espécie de filósofos ascetas.

5. As fábulas eram classificadas em três tipos: as mitológicas, as apologéticas e as milésias,

que devem o nome aos livros obscenos de Aristides de Mileto.

6. Sinon: espião que convenceu os troianos a deixar entrar o cavalo de madeira; Euríalo

era amigo inseparável de Niso (personagens da Eneida); Zópiro: governador da Babilônia, que se sacrificou pelo imperador Dario.

capítulo xlviii

1. Homero e Virgílio.

2. Dramas de Lupercio Leonardo de Argensola (1559- -1613). O segundo se perdeu.

3. Respectivamente, comédia de Lope de Vega, escrita entre 1585 e 1595; tragédia de

Cervantes, escrita em torno de 1583; comédia de Gaspar de Aguilar (1561-1623); e comédia de Francisco de Tárrega ( 1554-1602).

4. Refere-se a Lope de Vega, cujo Arte nuevo de hacer comedias (1609), na parte que tem

de autocrítica, concorda essencialmente com as observações do padre.

capítulo xlix

1. Viriato: caudilho português que se rebelou contra Roma. Fernán González: o herói

( 930-70) da independência frente a León. Gonzalo Fernández de Córdoba (1453--1515), “o grande capitão” dos Reis Católicos e das guerras da Itália. Diego García de Paredes: soldado dos exércitos do grande capitão, mencionado no capítulo xxxii. Garci Pérez Vargas: cavaleiro do começo do século xiii, famoso por sua audácia contra os mouros. Garcilaso de La Vega, antepassado do poeta com quem não deve ser confundido, morreu em 1457 ou 1458 em Granada, em cujas portas pregou um papel com a ave-maria. Manuel de León: cavaleiro do final do século xv que entrou numa jaula de leões para recolher a luva de uma dama.

2. Todos episódios relatados em La historia del emperador Carlomagno y los doce pares

de Francia. A moura Floripes, irmã do bom gigante Ferrabrás e mulher de Guy de Borgonha, protegeu os Doze Pares. A ponte de Mantible foi defendida pelo gigante Falafre, que fazia pagar caro pela passagem.

3. Guerein Meschino (Pádua, 1473), romance de Andrea da Barberino, traduzido na

Espanha com o título de Crónica del noble caballero Guarino Mesquino (Sevilha, 1512).

4. Adição espanhola à lenda do rei Artur, em que essa senhora aparece como a

intermediadora dos amores de Lancelot e Guinevere. Dom Quixote lembra os versos: “Essa dona Quitañona, essa que servia o vinho”.

5. Confusão de dom Quixote: o cavalo voador aparece no romance Clamades y

Clarmonda (Burgos, 1521), e não na Historia de la linda Magalona, hija del rey de Nápoles, y de Pierres, hijo del conde de Provenza.

6. João de Merlo, de ascendência portuguesa, foi alcaide de Alcalá, a Real. Combateu com

Pierre de Beafremont, senhor de Charny, e com Henrique de Remestan.

7. Personagens históricos do século xv, com fama de valentes. Seus nomes e feitos são

mencionados na Crônica de dom João II.

8. Em 1434, Suero de Quiñones defendeu o Passo Honroso na ponte do rio Órbigo

(Astorga). Por amor de sua dama, ele lançou o seguinte desafio: quebrar trezentas lanças contra todos os cavaleiros que se apresentassem na ponte. As justas duraram trinta dias, com a participação de 68 cavaleiros vindos de vários reinos. Suero morreu anos depois em combate contra dom Gutierre de Quijada.

9. O desafio aconteceu em Valladolid, em 1428, nas “justas e torneios” que são lembrados

nas Coplas de Jorge Manrique.

10. Atribuiu-se a Turpin, arcebispo de Reims em fins do século viii, uma crônica novelesca

que relaciona Carlos Magno e Roland com o caminho de Santiago.

capítulo li

1. Não existia uniforme militar propriamente dito, e os soldados usavam roupas coloridas

e pomposas.

2. “Vós” era tratamento dispensado principalmente a pessoas de condição inferior ou aos

mais próximos, como parentes.

3. Região do Peloponeso onde a tradição literária situa o lugar idílico por excelência. É

cenário de Arcádia, de 1504 (e traduzida em 1547 na Espanha), de Jacopo Sannazaro

( 1458-1530), que no Renascimento foi o modelo principal da poesia e do romance pastoril, aqui reelaborados por Cervantes.

capítulo lii

1. Escreveram isto.

2. Nome que se dava na época aos habitantes do Congo. Os membros das academias

literárias costumavam adotar pseudônimos irônicos. Cervantes imagina as poesias lidas numa sessão em homenagem a dom Quixote, e o tom burlesco não desmente esse suposto meio, pois era frequente nas reuniões acadêmicas.

3. Em louvor a Dulcineia del Toboso.

4. “Talvez outro cante com melhor plectro”, verso do Orlando furioso, xxx, 16 (com altro

por altri).

 

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Segunda parte do engenhoso cavaleiro dom

 

Quixote de la Mancha

prólogo ao leitor

1. O Segundo tomo del ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, publicado em

Tarragona em 1614 por um autor que se oculta sob o pseudônimo de “Alonso Fernández de Avellaneda, natural da vila de Tordesilhas”.

2. A batalha de Lepanto, em 7 de outubro de 1571, na qual Cervantes perdeu a mão

esquerda.

3. Cervantes alude a Lope de Vega, que era colaborador da Inquisição desde 1608 e

sacerdote desde 1614.

4. Alusão às Novelas exemplares, que foram publicadas em 1613.

5. Cardeal arcebispo de Toledo, tio do duque de Lerma e protetor de Cervantes.

6. Famoso poema satírico, escrito por volta de 1470, que circulava com comentários de

Fernando del Pulgar. Criticava o governo de Henrique iv, sob a forma de alegorias pastoris.

7. A dedicatória do Persiles tem a data de 19 de abril de 1616, quatro dias antes da morte

de Cervantes, e nela se promete de novo a segunda parte de A Galateia.

capítulo i

1. Referência a um conto do folclore valenciano em que um padre, roubado durante uma

viagem, é forçado pelo ladrão a jurar que não o denunciará a pessoa alguma. Um dia, ao rezar a missa, em que está presente o rei, o padre viu o ladrão e, no introito, em vez da oração habitual, contou a história, concluindo: “Jurei não contar a ninguém, mas conto a vós, Senhor Deus, que não sois nem homem nem mulher, que o ladrão está ali embaixo do púlpito”. O ladrão foi preso, naturalmente.

2. Versos finais da primeira parte do Orlando furioso. Catai: norte da China, pátria de

Angélica.

3. Luis Barahona de Soto escreveu Lágrimas de Angélica (1586), e Lope de Vega, La

hermosura de Angélica (1602).

capítulo iii

1. Alfonso de Madrigal (1400-55), bispo de Ávila, conhecido como El Tostado, foi autor

de mais de vinte grossos volumes de filosofia e teologia.

2. “Às vezes o bom Homero cochila.” Citação aproximada da Arte poética de Horácio,

verso 359.

3. “É infinito o número dos tolos.” Eclesiastes, 1,15.

 

capítulo iv

1. Essa história aparece no Orlando innamorato de Boiardo e no Orlando furioso de

Ariosto.

2. Dia 23 de abril. São Jorge é o patrono de Aragão.

 

capítulo v

1. Aos cinco sentidos considerados hoje se somavam a memória e o senso comum.

2. Um romance muito popular contava que dona Urraca ameaçou seu pai, Fernando i de

Castilla y León, de se tornar uma “mulher errada”, dando o corpo a quem o desejasse, se não lhe deixasse de herança uma parte do reino.

 

capítulo vi

1. Os palitos eram de marfim, osso, ouro, prata ou madeira, com adornos artísticos, para

uso permanente.

 

capítulo vii

1. Muito bem, de acordo.

 

capítulo viii

1. Garcilaso de la Vega, na Égloga iii.

 

capítulo ix

1. “Media noche era por filo”, no original. Referência à primeira linha do romance do

conde Claros de Montalbán, que se tornou expressão proverbial.

2. Primeiros versos do romance de Guarinos, em que se conta a derrota dos Doze Pares.

3. Romance que conta a história de Calaínos e da filha de Almanzor, a princesa Sevilha,

que em troca de seu amor pede as cabeças de Roland, Oliveiros e Reinaldos de Montalbán. Mas Calaínos é morto por Roland.

 

capítulo x

1. Versos que se repetem nos romances de Fernán Gonzáles e de Bernardo del Carpio.

 

capítulo xi

1. Angulo el Malo foi um famoso ator e dono de companhias dramáticas em fins do século

xvi. A quinta-feira seguinte à festa de Corpus Christi era o dia em que as companhias representavam suas peças.

 

capítulo xii

1. Modelos clássicos de amizade: Niso e Euríalo foram mencionados no primeiro volume,

capítulo xlvii; Pílades e Orestes são personagens de Ifigênia em Táuride, de Eurípedes.

2. O segundo desses versos, procedentes de um romance sobre o rei mouro Muza, era uma

expressão proverbial: “O que começou como brincadeira acabou mal”.

3. Mateus, 12,34, e Lucas, 6,45.

4. Vandália era o nome poético da Andaluzia, aludindo aos povos germânicos que ali se

assentaram.

 

capítulo xiii

1. Mateus, 15,14.

 

capítulo xiv

1. Imagem da Vitória na torre da catedral de Sevilha, que serve como cata-vento. É de

bronze, com 4,20 metros de altura, colocada sobre um globo de 1,5 metro.

2. Figuras de pedra de origem paleolítica que se encontram em Guisando (Ávila).

3. Próximo de Cabra, povoado cordovês, há um abismo que se supunha que fosse uma das

entradas do inferno.

4. Versos de La araucana, de Alonso de Ercilla. Como tem alterações, deve ter sido citado

de memória.

5. Uma das variedades mais características das lutas de camponeses, hoje lembradas

principalmente pelas “pinturas negras” de Francisco de Goya na Quinta del Sordo.

 

capítulo xvi

1. Era comum o uso do perdigão como chamariz e o do furão para caçar coelhos.

2. “Para ganhar o pão.” Era expressão jurídica.

3. “Deus está em nós.” Verso de Ovídio, em a Arte de amar.

4. Ponto Euximo, no mar Negro, para onde Ovídio foi desterrado.

 

capítulo xvii

1. Porto na costa argelina, em possessão espanhola conquistada em 1509 pelo cardeal

Cisneros.

2. Frase de Jesus dita a são Pedro (Mateus, 14,31).

3. Cavaleiro da época dos Reis Católicos, que entrou numa jaula para pegar a luva que

sua dama havia deixado cair.

4. Espadas famosas, fabricadas por Julián del Rey, armeiro do século xv. Sua marca era

um pequeno animal gravado na lâmina.

 

capítulo xviii

1. Versos com que começa o soneto x de Garcilaso: “— ¡Oh dulces prendas, por mi mal

halladas,/ dulces y alegres cuando Dios quería!”.

2. Atribuía-se à pele de foca ou de lobo-marinho virtudes curativas para várias doenças,

entre elas pedra nos rins e gota.

3. Segundo a lenda, homem anfíbio, siciliano, que podia passar muitos dias no fundo do

mar.

4. As lagoas, que os cristãos conquistaram em 1215, devem o nome a um castelo

muçulmano, localizado nas proximidades.

 

capítulo xix

1. Saiaguês, dialeto de Sayago, entre Zamora e Salamanca, era linguagem

convencionalmente atribuída aos ignorantes, enquanto o toledano era tido como modelo de língua elegante e polida.

2

2. Bairros de má fama de Toledo. Tenería é o lugar onde se curtem peles.

3. Aldeia próxima a Madri.

4. Mandoble, em espanhol. A palavra designava a espada grande, chamada também de

montante ou bastarda, que necessitava das duas mãos para ser manejada, como ainda designava o golpe que se dava com essa espada. Mas na esgrima designa um golpe dado com o braço rígido, movendo-se apenas o pulso. ( n. t.)

 

capítulo xx

1. Herói do cancioneiro popular que, ao fim de suas aventuras, volta para casa a tempo de

impedir que sua mulher, que o considerava morto, se case com o infante Celinos.

2. Tecido luxuoso muito usado por camponeses.

3. “De toda palavra ociosa que falem os homens darão conta no dia do juízo.” Mateus,

12,36.

 

capítulo xxi

1. Alusão às palavras com que o profeta Natã repreende Davi por seu adultério e seu crime

contra Urias. Livro dos Reis, 2,12,1-3.

2. Mateus, 19,6.

 

capítulo xxii

1. A metáfora procede do livro dos Provérbios.

2. As librés eram uniformes ou atavios próprios para as festas cortesãs. Eram de cores com

um valor simbólico, com desenhos alegóricos (cifras) e com comentários em versos (motes).

3. Obra do humanista italiano Virgílio Polidoro, De inventoribus rerum (1499), em que se

investigam as mais antigas referências a ideias, costumes, objetos, leis etc., em geral para mostrar que foram inventados pelos judeus e outros povos da Ásia. Teve enorme sucesso até o século xvii.

4. Paráfrase de dois versos de um romance sobre a morte de Alonso de Aguilar no cerco de

Granada (“esta empresa, Senhor,/ para mim estava reservada”).

5. Antigo gibão, acolchoado de algodão, que se usava como proteção sob a armadura.

6. O primeiro, santuário mariano na província de Salamanca; o segundo, templo dedicado

à Trindade, em Gaeta, porto próximo de Nápoles.

 

capítulo xxiii

1. Merlin, o mago das lendas arturianas, não era francês (da Gália), mas de Gales ou

Gaula.

2. Versos combinados e adaptados de dois romances diferentes sobre Montesinos.

3. Ordem militar de São João de Jerusalém, a quem pertenciam duas das lagoas.

4. Milionário. Forma castelhana de Fugger, sobrenome de uma família de banqueiros

alemães.

5. Alusão ao Libro del infante don Pedro de Portugal, que anduvo las cuatro partidas del

mundo (Salamanca, 1547).

capítulo xxiv

1. Tacanhice, baixeza.

 

capítulo xxv

1. Melisendra, filha de Carlos Magno, é a protagonista de um romance em que se conta

como foi resgatada pelo marido, dom Gaifeiros, da prisão onde a tem Almanzor.

2. Parte oriental da Mancha, entre Cuenca e Albacete.

3. Galantuomo e buono compagno: homem honesto e bom companheiro.

4. “Que peixe pegamos?” Expressão que significa, mais ou menos, “como vão as coisas?”.

Segundo Riquer, as expressões italianas foram introduzidas na Espanha nessa época pelos soldados que voltavam da Itália.

5. Personagem de Amadis de Gaula. Irmã do gigante Madarque, senhor da ilha Triste,

tinha os cabelos brancos tão emaranhados que não podia pentear e era tão feia que parecia o diabo, sem falar do tamanho desmesurado.

6. Atos dos Apóstolos, 1,7.

7. “Creia nas obras, não nas palavras.” João, 10,38.

 

capítulo xxvi

1. Primeiro verso do livro ii da Eneida na tradução espanhola de Gregorio Hernández de

Velasco, de 1557.

2. Sansueña vem do francês Sansoigne, ou seja, Saxônia.

3. Nome da espada de Roland no Orlando furioso. Também era chamada de Durendal ou

Durandarte.

4. Palácio árabe e residência dos reis de Aragão.

5. Diante do réu iam oficiais anunciando os delitos e a sentença; atrás beleguins o

açoitavam com varas. Os versos pertencem ao romance “Escarramán a La Méndez” de Francisco de Quevedo: “con chilladores delante/ e envaramiento detrás”.

6. Capa de viagem que permitia tapar o rosto para se proteger da poeira e do sol.

 

capítulo xxvii

1. Dom Quixote lembra o romance Ya cabalga Diego Ordóñez, que trata do cerco de

Zamora e da morte de Sancho ii de Castela.

2. Pode se referir tanto a Espartinas (Sevilha) como a Ocaña ou Yepes (Toledo). Contava-

se que muitas aldeias preferiam ter uma relógia, em vez de relógio, porque queriam fazer uma criação de reloginhos. Chamavam-se os valisoletanos de caçaroleiros, os teledanos de berinjeleiros, os madrilenhos de filhotes de baleia e os sevilhanos de saboeiros.

3. Mateus, 5,44; Lucas, 6,25.

4. Mateus, 11,30.

 

capítulo xxxi

1. A observação procede dos Coloquios (1553) de Antonio de Torquemada.

2. No porto da Herradura, próximo a Vélez Málaga, uma esquadra foi varrida por um

temporal em 19 de outubro de 1562. Morreram mais de 4 mil pessoas. Os sobrenomes mencionados foram documentados em Medina del Campo.

 

capítulo xxxii

1. O duelo tinha sido proibido pelo Concílio de Trento.

2. Sabonete perfumado, usado habitualmente como xampu.

3. São versos do romance sobre o marquês de Mântua, de autoria desconhecida.

4. Artistas gregos considerados exemplos de excelência nas artes.

5. Na realidade El Toboso era uma aldeia com muitos mouros e, segundo pesquisa de

1576, não tinha nobres, apenas camponeses.

6. Água perfumada com o aroma de inúmeras flores.

 

capítulo xxxiii

1. Rodrigo Díaz ganhou um assento de marfim do rei Búcar, na conquista de Valência, e o

deu de presente a Alfonso vi.

2. Versos que correspondem ao romance La penitencia del rey Rodrigo. O pecado dele foi

a luxúria.

3. “Morreu na flor da idade.” Michele Verino foi autor do Disticorum liber (1487), uma

coleção de máximas muito utilizada no ensino. Morreu aos dezessete anos. E Angelo Polizinao lhe dedicou um epitáfio de que fazem parte as palavras citadas.

 

capítulo xxxiv

1. Versos de Maldiciones de Salaya, romance muito divulgado em edições baratas. Fávila

foi o sucessor de Pelayo no reino de Astúrias.

2. Hernán Núñez de Guzmán, professor de grego em Alcalá e Salamanca, comendador da

Ordem de Santiago, publicou uma grande coleção de provérbios em 1555.

3. As estrelas cadentes, segundo Aristóteles, surgiam dos vapores quentes e secos

originados no centro da terra.

4. Narrador das aventuras do Cavaleiro do Febo, que já apareceu no capítulo xliii da

primeira parte.

5. Personagem de Amadis de Gaula.

 

capítulo xxxvi

1. Essa última frase foi censurada na edição de Valência de 1616, e o Índice expurgatório

do cardeal Zapata (1632) mandou apagá-la de todas as outras. Conforme a teologia católica, é proposição ambígua, mas de maneira nenhuma heterodoxa.

2. Os criminosos eram levados num burro, pelas ruas, até o local da execução, enquanto o

chicoteavam e liam a lista de seus crimes.

3. Um personagem de Boiardo e Ariosto se chama Trufaldin, nome derivado de trufar:

enganar, burlar.

4. País imaginário que Cervantes situa perto do Ceilão, ao sul da Índia.

 

capítulo xxxviii

1. Situada na atual província de Jaén. Dizem que era famosa pelo tamanho de seus grãos-

de-bico. Cervantes esteve lá como comissário do provedor de galeras.

2. Lobuna e Zorruna, no original, parecem sobrenomes inspirados pelo duque de Osuna.

Como a brincadeira, no Brasil, faz pouco sentido, optei pela solução do tradutor inglês, John Rutherford, na edição mais recente da Penguin (2000). (n. t.)

3. Cabo ao sul da Índia, diante do Ceilão (Taprobana).

4. “De la dulce mi enemiga/ nace un mal que al alma hiere/ y por más tormento quiere/

que se sienta y no se diga.” Trata-se de tradução de versos do poeta italiano Serafino de’ Ciminelli, l’Aquilano. Eram famosos desde fins do século xv.

5. Nos livros iii e x da República.

6. “Ven, muerte, tan escondida,/ que no te sienta venir,/ porque el placer del morir/ no me

torne a dar la vida.” Versos do comendador Juan Escrivá, muito conhecidos a partir do Cancionero general (1511).

7. “As pérolas dos mares do sul” é referência ao oceano Índico; Tíbar, lugar legendário da

Arábia, onde se pensava que havia o ouro mais puro; Pancaia, outro lugar imaginário na Arábia, citado por Virgílio, possuiria um bálsamo capaz de curar todas as dores.

 

capítulo xxxix

1. “Quem poderá conter as lágrimas ao narrar tais coisas?” Citação abreviada de Virgílio,

Eneida, ii, 6-8.

2. Personagem das canções da gesta francesa e do romanceiro espanhol.

 

capítulo xl

1. Não usar barba, entre os mouros, era considerado infame. Entre os espanhóis, puxar a

barba era uma tremenda humilhação.

2. Há uma confusão entre a Historia de Pierres de Provenza y la linda Magalona e a

Historia de Clamandes y Clarmonda, que é onde se monta um cavalo de madeira. Essa fábula tem paralelos em muitas culturas e deve ter chegado à Europa medieval através de contos árabes.

3. Paralipômenos são as Crônicas i e ii da Bíblia.

 

capítulo xli

1. Aldeia da atual província de Ciudad Real onde a Santa Irmandade executava os

condenados a flechaços.

2. A cosmologia da época, baseada nas ideias de Ptolomeu, dividia em quatro regiões

sublunares a atmosfera: a do ar, a do frio, a da água e a do fogo. Nelas se formariam todos os fenômenos meteorológicos.

3. Torralba é personagem histórico. Foi processado como bruxo em 1528. Afirmou ter

viajado pelo ar em 6 de maio de 1527 e ter assistido ao saque de Roma pelas tropas do imperador Carlos v.

imperador Carlos v.

4. A constelação das Plêiades, também conhecida como Sete Irmãs.

5. A piada não se limita a um jogo inócuo de palavras. Os cornos da lua separam, na

astronomia e na física aristotélicas, o mundo sublunar, imperfeito e mutável, do mundo supralunar da perfeição, onde dificilmente entraria um cabrão. Porque cabrão, além de designar o macho da cabra, em espanhol designa um sujeito chato, trapaceiro e, mais, o que é traído pela mulher, ou, mais ainda, sabe que é traído e consente numa boa. Em português, cabrão é o bode e também o traído, pelo menos nos dicionários. (n. t.)

 

capítulo xliii

1. Unhas compridas eram sinal de fidalguia, prova de que não se fazia nenhum serviço

manual.

2. Letras maiúsculas e descuidadas com que se escreviam nos pacotes o nome do

proprietário.

3. Mateus, 7,3.

 

capítulo xliv

1. Juan de Mena, num verso de Labirinto de fortuna.

2. São Paulo, i Coríntios, 7,31.

3. Alusão à “A só”, famosa pérola de propriedade da família dos Áustrias.

4. Rocha Tarpeia, lugar no monte Capitólio de onde Nero contemplou o incêndio de

Roma.

 

capítulo xlv

1. Odres ou bilhas, com água ou vinho, eram postos num balde com neve ou pendurados

ao ar para resfriar.

2. No original, o nome da ilha é Barataria, ou porque o lugar se chamava Baratário ou

pelo barato com que se havia dado o governo a Sancho. Trata-se de uma brincadeira com dois sentidos de barato: comissão que os jogadores pagam e engano, fraude. Pela maneira como a frase é formulada — pelo barato —, é evidente que se está dizendo “pelo engano”. Em português, barato também é a comissão dos jogadores, mas não tem o sentido de fraude, como tem barataria, embora precisemos consultar o dicionário para saber disso. Preferi refazer a piada em português, mesmo que ela seja um tanto mais pobre, deslocando o duplo sentido para logradouro, que tanto pode ser aquilo que se alcança — enfim Sancho chega ao governo da almejada ilha — como um lugar com praças e jardins, mas lembra trapaça antes de mais nada, que é justamente o que acontece com o governo do pobre Sancho. (n. t.)

3. O alfaiate qualificado passara no exame da guilda dos alfaiates. Eles tinham fama de

ladrões, daí o pedido de perdão e os agradecimentos a Deus, sempre feitos depois das blasfêmias.

4. Se não falta nada, Cervantes deve ter inserido às pressas a cena dos capuzes,

confundindo a ordem dos episódios, porque a sentença aludida aparece mais adiante.

 

capítulo xlvi

1. Azeite usado para curar feridas, cuja invenção é atribuída a Aparicio de Zubia.

 

capítulo xlvii

1. O sêmen era considerado o suporte dos quatro humores fundamentais, portanto líquido

essencial da vida.

2. “Abstenha-se.”

3. Universidade bastante desprezada na época e que não tinha Faculdade de Medicina.

4. Os secretários bascos eram muito comuns e tinham fama de leais e eficazes.

 

capítulo xlviii

1. As Astúrias de Oviedo e as Astúrias de Santillana eram duas províncias da região da

Montanha. Eram consideradas o berço das famílias mais nobres da Espanha, as descendentes dos godos.

 

capítulo l

1. “Santo Agostinho duvida”. Expressão usada nos debates escolásticos.

2. “Acredite nas obras, não nas palavras.” João, 10,38.

 

capítulo li

1. Salmos, 112,7.

2. “Platão é amigo, mas a verdade é mais amiga.”

 

capítulo liii

1. Conforme a divisão tradicional do ano agrícola em cinco estações, com o estio entre o

verão e o outono.

 

capítulo liv

1. “Dinheiro! Dinheiro!”, do alemão e do holandês geld.

2. No começo do século xvi, os mouriscos, quer dizer, os descendentes dos muçulmanos

que permaneceram na Espanha, foram obrigados a se converter ao cristianismo. Grande parte dessas conversões foi apenas aparente. Depois de algumas rebeliões, sendo as mais importantes entre 1568-70, milhares de mouriscos de Granada foram deslocados para a Mancha. Diante da impossibilidade de assimilá-los ao catolicismo, entre 1609 e 1613 houve a decisão de expulsá-los da Espanha, de onde realmente saíram perto de 300 mil pessoas.

3. “Gritos dão crianças e velhos,/ e ele de nada se condoía.” Versos de uma conhecida

balada sobre o incêndio de Roma por Nero.

4. Diálogo na língua franca usada pelos peregrinos, mistura de várias línguas latinas.

5. O decreto de expulsão de 10 de junho de 1610 foi precedido, em 20 de dezembro, por

uma disposição que autorizava os mouriscos a se expatriar voluntariamente.

6. Os mouriscos expulsos de Castela eram proibidos de levar moedas. Só tinham

autorização de levar ouro e joias se depositassem a metade de seu valor. Consta que realmente alguns ocultaram seus bens como o fez Ricote.

7. “Como um sagitário”, no original. Não se sabe exatamente o que Sancho queria dizer.

Não parece uma palavra errada, como às vezes ele usa. Nem parece se referir aos centauros, conhecidos como beberrões e desordeiros, com exceção de Quíron, o preceptor de Aquiles, Teseu, Hércules e tantos outros heróis. Nem parece também uma referência astrológica, dada a total ignorância do governador. Mas, em gíria, sagitário designava o preso que se levava pelas ruas abaixo de açoites. Esse significado certamente Sancho conhecia. E, se pensarmos o que passou no governo, talvez a ironia faça sentido. ( n. t.)

 

capítulo lv

1. Segundo as lendas medievais, Galiana era uma princesa moura, de Toledo, que vivia

num suntuoso palácio às margens do Tejo e foi a primeira mulher de Carlos Magno. Se alguém reclamava dos aposentos que lhe davam, dizia-se que queria “palácios de Galiana”.

2. Referência aos versos de uma balada sobre o cerco de Zamora.

 

capítulo lvi

1. Os cavalos originários da Frísia, nos Países Baixos, eram grandes e lanudos.

 

capítulo lvii

1. Personagem do Orlando furioso que deixa sua esposa Olímpia numa ilha deserta.

2. Marchena e Loja são aldeias de Sevilha e Granada, respectivamente.

 

capítulo lviii

1. São Martim de Tours. O mendigo a quem dá a capa era nada menos que Cristo.

2. i Timóteo, 2,7.

3. Gálatas, 1,12.

4. “Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e são os

violentos que o arrebatam.” Mateus, 11,12.

 

capítulo lix

1. Trata-se do volume com o título de Segundo tomo do engenhoso fidalgo dom Quixote

de la Mancha, que contém sua terceira saída e é a quinta parte de suas aventuras. Consta que foi composto pelo licenciado Alonso Fernández de Avellaneda, natural da vila de Tordesilhas. A licença da publicação é de julho de 1614. Cervantes, que escrevia o capítulo xxxvi em fins desse mesmo mês, não deve tê-lo conhecido antes do outono, e nada indica que o aproveitou antes de citá-lo aqui. Mas há quem pense que Cervantes tinha lido uma das cópias manuscritas que comumente corriam mundo antes da publicação e que planejou com toda a calma sua vingança.

2. No Quixote autêntico, a mulher de Sancho se chama Joana Gutiérrez, Mari Gutiérrez,

Teresa Pança, Teresa Cascajo e Teresa Sancha. No apócrifo de Avellaneda, é sempre Mari Gutiérrez.

 

capítulo lx

1. Adaptação da frase atribuída a Bertrand du Guesclin, quando interveio na luta entre

Pedro i, o Cruel, e Henrique de Trastâmara, no castelo de Montiel: “Não derrubo rei nem faço rei, mas ajudo ao meu senhor”.

2. Versos de um romance do ciclo dos Infantes de Lara chamado La venganza de Hudarra.

3. Roque Guinart é personagem histórico, que se chamava Perot (“Perote”) Roca

Guinarda, nascido em 1582 e que realmente dominou a região próxima à Barcelona. Em 1611, teve a pena de morte suspensa em troca de servir no exército real (como muitos outros bandidos catalães). Em 1614, ano em que Cervantes escrevia seu romance, ele era capitão em Nápoles.

4. Salmos, 42,8.

5. Os cadells (filhotes) e os nyarros ou nyerros (leitões) formavam as duas facções rivais

que dividiam a sociedade catalã em todos os seus estamentos.

 

capítulo lxi

1. Brincadeira com dois versos da Égloga iii de Garcilaso: “El agua baña el prado con

sonido,/ alegrando la yerba y el oído”.

 

capítulo lxii

1. “Fugi, inimigos!” Fórmula utilizada pelos exorcistas para afugentar o demônio.

2. O sapateado era típico de gente rústica.

3. O pastor Fido, de Guarini. A tradução espanhola de Cristóbal Suárez de Figueroa foi

impressa em 1602 (Nápoles) e 1609 (Valência).

4. Livro de Torquato Tasso (1573) traduzido para o espanhol por Juan de Jáuregui em

1607.

5. Mesmo com crédito e documentação de Tarragona, o Quixote de Avellaneda deve ter

sido impresso em Barcelona, na gráfica de Sebastián de Cormellas, especializado em publicar na Corona de Aragón as obras literárias castelhanas de maior sucesso.

 

capítulo lxiii

1. Morro ao sul de Barcelona com uma torre de vigia.

 

capítulo lxvii

1. De nemus, “bosque” em latim.

2. Borceguí: borzeguim; zauizamí: sótão; maravedí: maravedi ou morabitino; alhelí: aleli

ou goivo; alfaquí: especialista na lei corânica. Apenas “almoçar” e talvez “borzeguim” não sejam de origem árabe.

 

capítulo lxviii

1. “Espero luz depois das trevas.” Versículo de Jó, 17,12, e divisa da gráfica dirigida por

Juan de la Cuesta até 1607.

 

capítulo lxix

1.

2. Símbolo da virgindade triunfante.

Imperador da Assíria, símbolo do orgulho e da crueldade.

 

capítulo lxx

 

1. Verso da Égloga i de Garcilaso.

2. Estribilho do Romanceiro geral, que começa assim: “Diamante falso e fingido”.

 

capítulo lxxi

1. Uma graça de Deus.

2. A expressão procede do Livro de Juízes, 16,30.

3. “Deus de Deus.” Frase do Credo.

4. “Como era.” Referência à frase “Sicut erat in principio”, que se dizia no fim das

orações.

 

capítulo lxxii

1. Realmente é personagem do Quixote de Avellaneda, que o apresenta a caminho de

Zaragoza.

2. No oitavo capítulo do livro de Avellaneda, dom Quixote é preso por querer libertar um

ladrão que a justiça leva para açoitar; no nono, dom Álvaro consegue a liberdade do cavaleiro.

3. Manicômio fundado em 1480 por Francisco Ortiz, núncio apostólico de Xisto iv, onde

fica internado o dom Quixote de Avellaneda.

 

capítulo lxxiii

1. “Mau sinal.” Expressão de Avicena, usada pelos médicos ao diagnosticar sintomas

graves.

2. Vilancico famoso: “Pastorzinho, tu, que vens;/ pastorzinho, tu, que vais,/ Onde minha

senhora está,/ diz, que novas há por lá?”.

 

capítulo lxxiv

1. Versos inspirados no romance de Ginés de Hita sobre o cerco de Granada: “¡Tate, tate,

folloncicos!/ De ninguno sea tocada,/ porque esta empresa, buen rey,/ para mí estaba guardada”.

2. Avellaneda aludia a uma possível continuação das aventuras de dom Quixote em

Castela, a Velha.

 

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O engenhoso fidalgo dom Quixote de la Mancha

Continuar: parte 2 de 2