Dom Quixote

Miguel de Cervantes · Capítulo 3 de 137

Páginas do PDF

Dom Quixote

Nota sobre o texto

Esta tradução seguiu a edição do iv Centenário, feita pela Real Academia Espanhola e pela Associação de Academias da Língua

Espanhola, aos cuidados de Francisco Rico (2004, Alfaguara), e a

edição de John Jay Allen (1998, Cátedra). As diferenças entre elas são mínimas, mas importantes, como opiniões distintas sobre o sentido de

determinadas frases ou expressões. Allen também corrige alguns erros

de revisão da edição princeps mantidos por Rico. Para esses erros,

consultei também a edição de R. M. Flores, de 1988, para The

University of British Columbia Press, que traz uma lista dos

inumeráveis problemas rastreados nas edições originais. Pelo menos

num caso preferi a indicação de Flores à interpretação tradicional, no

capítulo xliv da segunda parte: ele pensa que dar pentalia a los zapatos não é lustrá-los com azeite misturado com fuligem, mas dar

puntada, quer dizer, dar pontos, remendar.

Preferi manter “dom Quixote de la Mancha” e “Dulcineia del

Toboso”, em vez de “da Mancha” e “do Toboso”, porque esses nomes

já atravessaram as fronteiras há muito tempo, assim como “Cavaleiro

da Triste Figura”, embora, no caso, a figura se refira ao rosto do

cavaleiro. Seguindo a tendência das edições modernas, abri mais

parágrafos, coisa que pelo visto não preocupava Cervantes. Quanto

aos tratamentos, a não ser em algumas situações mais complicadas,

segui Cervantes, que passa de “tu” para “vossa mercê” ou para “vós”

de um parágrafo a outro, ou no mesmo parágrafo. Essas mudanças

acontecem de acordo com o respeito que se deve a quem se fala, mas

às vezes Cervantes simplesmente parece ter se esquecido. Por falar em

esquecimento, há o famoso sumiço e a reaparição do burro de Sancho.

Nesse caso, preferi seguir a edição de John Jay Allen, inserindo os trechos entre colchetes, com as devidas explicações em notas, por me

parecer mais prático.

Como John Rutherford, na tradução para a Penguin, preferi não

incluir aqueles textos burocráticos, como as taxas pagas e a licença do

rei para a publicação, que acompanham tradicionalmente as edições

modernas e que são geralmente pulados pelos leitores. Também não incluí as dedicatórias. Como diz Rutherford, há dúvidas de que a

primeira tenha sido escrita por Cervantes e a segunda é puramente

convencional.

As notas com informações históricas, literárias e geográficas

procedem em sua maioria das edições de Rico e Allen. Elas se repetem

quase em sua totalidade em todas as edições com muito poucas

alterações. Umas poucas que são minhas referem-se a situações mais

complicadas ou curiosas de tradução.

 

OceanofPDF.com