Dom Quixote
Nota sobre o texto
Esta tradução seguiu a edição do iv Centenário, feita pela Real Academia Espanhola e pela Associação de Academias da Língua
Espanhola, aos cuidados de Francisco Rico (2004, Alfaguara), e a
edição de John Jay Allen (1998, Cátedra). As diferenças entre elas são mínimas, mas importantes, como opiniões distintas sobre o sentido de
determinadas frases ou expressões. Allen também corrige alguns erros
de revisão da edição princeps mantidos por Rico. Para esses erros,
consultei também a edição de R. M. Flores, de 1988, para The
University of British Columbia Press, que traz uma lista dos
inumeráveis problemas rastreados nas edições originais. Pelo menos
num caso preferi a indicação de Flores à interpretação tradicional, no
capítulo xliv da segunda parte: ele pensa que dar pentalia a los zapatos não é lustrá-los com azeite misturado com fuligem, mas dar
puntada, quer dizer, dar pontos, remendar.
Preferi manter “dom Quixote de la Mancha” e “Dulcineia del
Toboso”, em vez de “da Mancha” e “do Toboso”, porque esses nomes
já atravessaram as fronteiras há muito tempo, assim como “Cavaleiro
da Triste Figura”, embora, no caso, a figura se refira ao rosto do
cavaleiro. Seguindo a tendência das edições modernas, abri mais
parágrafos, coisa que pelo visto não preocupava Cervantes. Quanto
aos tratamentos, a não ser em algumas situações mais complicadas,
segui Cervantes, que passa de “tu” para “vossa mercê” ou para “vós”
de um parágrafo a outro, ou no mesmo parágrafo. Essas mudanças
acontecem de acordo com o respeito que se deve a quem se fala, mas
às vezes Cervantes simplesmente parece ter se esquecido. Por falar em
esquecimento, há o famoso sumiço e a reaparição do burro de Sancho.
Nesse caso, preferi seguir a edição de John Jay Allen, inserindo os trechos entre colchetes, com as devidas explicações em notas, por me
parecer mais prático.
Como John Rutherford, na tradução para a Penguin, preferi não
incluir aqueles textos burocráticos, como as taxas pagas e a licença do
rei para a publicação, que acompanham tradicionalmente as edições
modernas e que são geralmente pulados pelos leitores. Também não incluí as dedicatórias. Como diz Rutherford, há dúvidas de que a
primeira tenha sido escrita por Cervantes e a segunda é puramente
convencional.
As notas com informações históricas, literárias e geográficas
procedem em sua maioria das edições de Rico e Allen. Elas se repetem
quase em sua totalidade em todas as edições com muito poucas
alterações. Umas poucas que são minhas referem-se a situações mais
complicadas ou curiosas de tradução.
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