Dom Quixote

Miguel de Cervantes · Capítulo 71 de 137

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Dom Quixote

Capítulo X

 

onde se conta a artimanha que sancho

usou para encantar a senhora dulcineia,

e outros acontecimentos tão ridículos

como verdadeiros

Chegando aos fatos que conta neste capítulo, o autor desta grande

história diz que gostaria de relegá-los ao silêncio, receoso de que não

acreditem nele, porque as loucuras de dom Quixote ultrapassaram

aqui o limite das maiores que se podem imaginar, indo inclusive dois

tiros de balestra além delas. Enfim, mesmo com medo, descreveu-as

exatamente como ele as cometeu, sem acrescentar nem subtrair à

história um ponto da verdade, sem se importar com as objeções que

podiam taxá-lo de mentiroso. E teve razão, porque a verdade estica

mas não arrebenta e sempre fica por cima da mentira, como o azeite

sobre a água.

Assim, prosseguindo sua história, diz que, mal dom Quixote se

meteu na floresta, capoeira ou mata de azinheiras perto de El Toboso,

mandou Sancho voltar à cidade e que não aparecesse em sua presença

sem ter antes falado de sua parte a sua senhora, pedindo que ela

concedesse a graça de se deixar ver por seu cativo cavaleiro e se

dignasse a lhe dar a bênção, para que assim pudesse esperar um

felicíssimo final em todas as suas batalhas e difíceis empresas. Sancho

se encarregou de fazer tudo como era mandado e trazer-lhe resposta

tão boa como a que trouxe na primeira vez.

— Anda logo, meu filho — replicou dom Quixote —, e não te

ofusques quando te vires diante da luz do sol de formosura que vais

procurar. Venturoso és sobre todos os escudeiros do mundo! Fica

alerta e não esqueças como ela te recebe: se troca de cor quando estiveres dando minha mensagem; se se altera e aflige ouvindo meu

nome; se não para quieta no coxim, se por acaso a encontrares

sentada no rico estrado próprio de sua dignidade; e, se estiver de pé,

olha para ver se fica ora sobre um pé, ora sobre o outro; se repete

duas ou três vezes a resposta que te der; se muda de branda para

ríspida, de rude para amorosa; se leva a mão ao cabelo para ajeitá-lo, mesmo que não esteja desarrumado… Enfim, meu filho, olha todas as

suas ações e movimentos, porque, se relatares para mim como eles

ocorreram, eu entenderei o que ela mantém escondido no segredo de

seu coração acerca do que se refere aos meus feitos, pois deves saber,

Sancho, se é que não sabes, que entre os amantes as ações e

movimentos exteriores que mostram quando se trata de seus amores

são certíssimos correios que trazem as novas do que se passa no

interior da alma. Vai então, meu amigo, e guie-te melhor sorte que a

minha, e traga-te melhores ventos que aqueles que fico temendo e

esperando nesta amarga solidão em que me deixas.

— Vou num pé e volto no outro — disse Sancho. — Mas inche o

peito, meu senhor, pois agora vossa mercê deve ter o coração menor

que uma avelã. Vamos, não esqueça que se costuma dizer que coração

forte dobra má sorte e que coração alegre é melhor que botica;

também se diz: “De onde menos se espera, daí salta a lebre”. Digo isso

porque, se não achamos os palácios ou alcáceres de minha senhora de

noite, penso achar agora que é de dia, quando menos se espera; e, depois de achá-los, deixe a donzela comigo.

— Com certeza, Sancho — disse dom Quixote —, eu espero que

Deus me dê tanta ou melhor sorte no que desejo quanto teus ditados

sempre vêm a calhar ao que tratamos.

Dito isto, Sancho deu as costas ao fidalgo e fustigou o burro, e dom

Quixote ficou a cavalo descansando nos estribos e escorado na lança,

cheio de tristes e confusas fantasias, onde o deixaremos, indo-nos com

Sancho Pança, que se afastou não menos confuso e pensativo do que

deixava seu senhor. Tanto, na verdade, que mal tinha saído do mato

virou a cabeça e, notando que não se via mais dom Quixote, apeou e,

sentando-se embaixo de uma árvore, começou a falar a si mesmo:

— Vamos ver agora, irmão Sancho, aonde vai vossa mercê. Vai

procurar algum jumento perdido?

“Não, de jeito nenhum.

“Vai procurar o quê, então?

“Vou procurar, como quem não quer nada, uma princesa, e nela o

sol da formosura e todo o céu de quebra.

“E onde pensa encontrar tudo isso, Sancho?

“Onde? Ora, na grande cidade de El Toboso.

“Muito bem, e vai procurá-la a mando de quem?

“A mando do famoso cavaleiro dom Quixote de la Mancha, que

repara as injustiças e dá de comer a quem tem sede e de beber a quem

tem fome.

“Isso tudo está muito bem, mas vossa mercê sabe onde fica a casa,

Sancho?

“Meu amo diz que devem ser uns palácios reais ou uns alcáceres

soberbos.

“E por acaso vossa mercê a viu alguma vez?

“Nem eu nem meu amo a vimos jamais.

“E lhe parece acertado e bem-feito que, se os moradores de El

Toboso souberem que vossa mercê está aqui com a intenção de roubar

as princesas e alarmar as damas deles, viessem e moessem suas costelas

à base de pauladas e não lhe deixassem um osso inteiro?

“Para falar a verdade, teriam toda razão, se não considerassem que

sou mandado, e que

Mensageiro sois, amigo,

não tens culpa, não.1

“Não se fie nisso, Sancho, porque os manchegos são tão coléricos

quanto honrados e não deixam ninguém brincar com eles. Por Deus,

se farejarem alguma coisa, estarás bem arrumado.

“Arreda, capeta! Que o raio te parta! Não, não estou aí para

procurar sarna e me coçar pelos outros! Sem falar que procurar

Dulcineia em El Toboso é como procurar palha num palheiro ou

bacharel em Salamanca! Foi o diabo, sim, ninguém menos que o diabo

em pessoa que me meteu nisso!”

De todo esse solilóquio, Sancho concluiu o que voltou a dizer:

— Muito bem, todas as coisas têm remédio, menos a morte, em

cujas mãos todos nós estaremos no fim da vida, queiramos ou não. Já

vi por mil sinais que meu amo é louco de atar, e eu também não fico

muito atrás, vai ver sou até mais idiota que ele, já que o sigo e o sirvo,

sendo verdadeiro o ditado que diz: “Diz-me com quem andas e te direi

quem és”, e aquele outro: “Não importa a casta, mas com quem se

pasta”. Então, sendo ele louco do jeito que é e de loucura que na

maioria das vezes toma umas coisas por outras, julga o branco por

preto e o preto por branco, como quando disse que os moinhos de vento eram gigantes, as mulas dos religiosos dromedários, os rebanhos

de carneiros exércitos de inimigos e muitas outras coisas desse teor,

não será difícil fazer com que acredite que uma camponesa, a primeira

com quem eu topar por aqui, é a senhora Dulcineia. Agora, se ele não

acreditar, eu jurarei, e se ele jurar, eu juro de novo, e se teimar, eu

teimarei mais ainda, de maneira que não me dê jamais por vencido,

aconteça o que acontecer. Talvez, depois dessa teima toda, ele não me

mande outra vez em semelhantes missões, vendo os péssimos recados

que lhe trago delas, ou talvez pense, como imagino, que algum mago

perverso desses que ele diz ser seu inimigo terá mudado a aparência de

Dulcineia, para lhe causar dano e sofrimento.

Com esse pensamento, Sancho sossegou o espírito e considerou seu

negócio bem encaminhado, e ficou por ali até de tarde, para que dom

Quixote pudesse pensar que havia tido tempo de ir e voltar a El

Toboso. E correu tudo tão bem que, quando se levantou para montar

no burro, viu que vinham de El Toboso na direção dele três

camponesas sobre três burrinhos, ou burrinhas, que o autor não esclarece, embora possa se acreditar mais que eram burrinhas, por

serem as montarias habituais das aldeãs; mas, como isso pouco

importa, não há motivo para nos deter em averiguar. Em suma, mal

Sancho viu as camponesas, às carreiras voltou a procurar seu senhor

dom Quixote, e o encontrou suspirando e dizendo mil lamentos

amorosos. Apenas o viu, dom Quixote lhe disse:

— Que há, Sancho, meu amigo? Posso comemorar este dia ou devo

botar luto?

— Seria melhor — respondeu Sancho — que vossa mercê subisse na

torre da igreja e tocasse o sino.

— Quer dizer — replicou dom Quixote — que trazes boas-novas.

— Tão boas — respondeu Sancho — que vossa mercê não tem de

fazer nada além de esporear Rocinante e sair em campo aberto para

ver a senhora Dulcineia del Toboso, que vem com duas aias ver vossa

mercê.

— Santo Deus! O que dizes, amigo Sancho? — disse dom Quixote.

— Olha, não me enganes, nem queiras animar minhas tristezas

verdadeiras com falsas alegrias.

— O que eu ganharia enganando vossa mercê, ainda mais se pode

descobrir agora mesmo a verdade? — respondeu Sancho. — Vamos,

senhor, venha e verá chegar a princesa nossa ama, vestida e adornada,

enfim, como a nobre que é. Ela e suas aias são brasas de ouro, todas

espigas de pérolas, todas são diamantes, todas rubis, todas vestidas de

brocado com mais de dez camadas de bordados; os cabelos, soltos

pelas costas, são outros tantos raios do sol que andam brincando com

o vento; e, além disso, vêm a cavalo em três cananeias malhadas,

lindas de se ver.

— Queres dizer hacaneias, Sancho.

— Há pouca diferença entre cananeias e hacaneias — respondeu

Sancho —, mas, venham montadas no que vierem, vêm as mais

galantes senhoras que se possam desejar, especialmente a princesa

Dulcineia minha senhora, que pasma os sentidos.

— Vamos lá, Sancho, meu filho — respondeu dom Quixote. — E em

recompensa por essas novas tão inesperadas como boas te dou o

melhor despojo que ganhar na primeira aventura que tiver, e, se isso não te agradar, te dou as crias que este ano tiverem minhas três éguas.

Como sabes, estão para parir no campo público de nosso povoado.

— Fico com as crias — respondeu Sancho —, porque não tenho

muita certeza se serão bons os despojos da primeira aventura.

Nisso saíram da mata e avistaram ali perto as três aldeãs. Dom

Quixote espichou os olhos por toda a estrada de El Toboso e, como

não viu mais que as três camponesas, ficou todo confuso e perguntou

a Sancho se as tinha deixado fora da cidade.

— Como fora da cidade? — respondeu. — Por acaso vossa mercê

tem os olhos no cangote, que não vê estas que vêm ali, resplandecentes

como o próprio sol ao meio-dia?

— Eu não vejo nada, Sancho — disse dom Quixote —, exceto três

camponesas montadas em três burrinhos.

— Cruz-credo, Deus me livre! — respondeu Sancho. — Como é

possível que três hacaneias, ou seja lá como se chamam, brancas como

um floco de neve, pareçam burrinhos a vossa mercê? Por Deus, quero

ver minha mãe morta se isso for verdade!

— Pois eu te digo, meu amigo Sancho, que é tão verdade que são

burrinhos, ou burrinhas, como eu sou dom Quixote e tu Sancho Pança. Pelo menos, é o que me parece.

— Cale-se, senhor — disse Sancho —, não diga uma coisa dessas.

Esfregue os olhos e venha fazer uma reverência à senhora de seus

pensamentos, que já está perto.

Dito isto, adiantou-se para receber as três aldeãs e, apeando do

burro, segurou as rédeas do jumento de uma delas e disse, caindo de

joelhos no chão:

— Rainha e princesa e duquesa da formosura, vossa altivez e

grandeza seja servida de receber em sua graça e boa vontade vosso

cativo cavaleiro, que ali está feito estátua de mármore, confuso e todo

acanhado, por se ver diante de vossa magnífica presença. Eu sou

Sancho Pança, seu escudeiro, e ele é o atormentado cavaleiro dom

Quixote de la Mancha, conhecido também como o Cavaleiro da Triste

Figura.

Nessas alturas, dom Quixote já havia se posto de joelhos ao lado de

Sancho, e olhava com olhos arregalados e vista turva aquela que

Sancho chamava de rainha e senhora; mas, como não via nela mais que uma camponesa, e com um rosto não muito bonito, porque era

redondo e chato, estava confuso e admirado, sem ousar despregar os

lábios. As camponesas também estavam surpresas, vendo aqueles dois

homens tão diferentes caídos de joelhos, que não deixavam seguir

adiante sua companheira. Mas a detida rompeu o silêncio, dizendo

desajeitada e aborrecida:

— C’os diabos, saiam da frente e nos deixem passar, que temos

pressa!

Ao que Sancho respondeu:

— Oh, princesa e senhora universal de El Toboso! Como vosso

magnânimo coração não se enternece vendo ajoelhado diante de vossa

sublimada presença o pilar e sustentáculo da cavalaria andante?

Ouvindo isso, outra das moças disse:

— Ora, vá pentear macacos, sua besta! Olhe só os senhorzinhos

caçoando das camponesas, como se aqui não soubéssemos fazer

gracejos como eles. Sigam seu caminho e nos deixem seguir o nosso,

que vai ser melhor para a saúde de vossas mercês.

— Levanta-te, Sancho — disse dom Quixote nesse ponto —, pois

vejo que o destino, que de meu mal não se farta, tem tomado todos os caminhos por onde possa vir alguma alegria a esta alma desgraçada

que tenho dentro do corpo. E tu, extremo da perfeição, ápice da graça

humana, único remédio desse coração aflito que te adora!, já que o

perverso mago que me persegue pôs nuvens e cataratas em meus

olhos, e apenas para eles e não para outros modificou tua sem igual

formosura e transformou teu rosto no de uma camponesa pobre, se é

que também não transformou o meu no de algum ogro, para me

tornar odioso a teus olhos, não deixes de me olhar com brandura e

amorosamente, vendo, nesta submissa homenagem que faço a tua

desfigurada formosura, a humildade com que minha alma te venera.

— Olhe só meu vozinho! — respondeu a camponesa. — E eu lá sou

dada a ouvir galanteios?! Afastem-se e nos deixem ir, que ficamos

agradecidas.

Sancho se afastou e a deixou ir, muito contente por ter se saído bem

daquela tramoia.

Mal a camponesa que havia feito o papel de Dulcineia se viu livre,

cutucou sua cananeia com um aguilhão que tinha num pau e desatou a correr campo afora. Mas a burrinha, sentindo a ponta do aguilhão,

que a incomodava mais que o habitual, começou a corcovear, de modo

que atirou a senhora Dulcineia no chão. Vendo isso, dom Quixote foi

ajudá-la a se levantar, e Sancho a apertar a cincha da albarda, que

tinha ido parar na barriga do animal. Arrumada a albarda, dom

Quixote quis levantar sua encantada senhora nos braços para montá-

la, mas ela, levantando do chão, poupou o trabalho dele: recuou um

pouco e, dando uma corridinha, botou ambas as mãos nas ancas da

burrinha e saltou sobre a albarda, mais ligeira que um falcão, onde

ficou escanchada como um homem. Então Sancho disse:

— Santo Deus, a senhora nossa ama é mais ligeira que uma lebre e

pode ensinar a montar à gineta o mais hábil cordovês ou mexicano!

Passou de um salto pelo arção traseiro da sela, e sem esporas faz

correr a hacaneia como uma zebra. E suas aias não ficam atrás, que

todas correm como o vento.

E era verdade mesmo, porque, ao verem Dulcineia a cavalo, todas

desataram a correr atrás dela, sem virar a cabeça por um trecho de

mais de meia légua. Dom Quixote seguiu-as com os olhos até que

desapareceram e então, virando-se para Sancho, disse:

— Sancho, viste como sou malquisto pelos magos? E olha até onde

vai a malícia deles e a aversão que me têm, pois trataram de me privar

da alegria que poderia me dar ver minha senhora em pessoa. Enfim, eu

nasci para exemplo de desgraçados e para ser o alvo onde fazem mira

e atiram as flechas da má sorte. E deves reparar também, Sancho, que

esses traidores não se contentaram apenas em transformar minha

Dulcineia, mas em transformá-la numa figura tão baixa e tão feia

como a daquela camponesa, e ainda lhe tiraram o que é tão seu e

próprio das senhoras de sua condição, que é cheirar bem, por andar

sempre entre âmbares e entre flores. Porque te garanto, Sancho, que,

quando ajudei Dulcineia a montar na hacaneia, conforme tu dizes,

pois a mim pareceu uma burrinha, senti um cheiro de alho cru que me

atarantou e envenenou a alma.

— Oh, canalhas! — gritou Sancho nessas alturas. — Oh, magos

miseráveis e mal-intencionados, eu adoraria ver todos espetados pelas

guelras, como enfiada de sardinhas! Muito sabeis, muito podeis e

muito mais fazeis. Velhacos, devia vos bastar ter transformado as pérolas dos olhos de minha senhora em bolotas de carvalho, e seus

cabelos de ouro puríssimo em cerdas de rabo de boi vermelho, e

transformado, enfim, suas belas feições na feiura em pessoa, sem

tocardes no cheiro dela, que por ele talvez percebêssemos o que estava

oculto sob aquela casca horrorosa. Embora, para dizer a verdade, eu

nunca tenha visto sua fealdade, mas apenas sua formosura, que

aumentava vários quilates com uma pinta sobre o lábio no lado

direito, à maneira de bigode, com sete ou oito fios dourados, e

compridos mais de um palmo.

— Conforme a correspondência que há entre os sinais do rosto e os

do corpo — disse dom Quixote —, Dulcineia deve ter outra pinta na

coxa, na parte de dentro, do mesmo lado onde tem a do rosto. Mas os

pelos que mencionaste são compridos demais para pintas.

— Mas garanto a vossa mercê — respondeu Sancho — que ficavam

muito bem, como se ela tivesse nascido com eles.

— Acredito, meu amigo, acredito — replicou dom Quixote —,

porque a natureza não pôs nenhuma coisa em Dulcineia que não fosse

perfeita e bem-acabada. Assim, se tivesse cem pintas como a que dizes,

nela não seriam lunares, mas luas e estrelas resplandecentes. Mas me diz uma coisa, Sancho: aquela que me pareceu albarda e que tu

arrumaste, era selim ou silhão?

— Nem um nem outro — respondeu Sancho —, mas sela à gineta,

com um xairel que vale metade de um reino, de tão precioso.

— E eu que não vi nada disso, Sancho! — disse dom Quixote. —

Agora digo de novo e direi mil vezes: sou o mais desgraçado dos

homens.

Muito se esforçava o debochado Sancho para dissimular o riso,

ouvindo os desatinos de seu amo, tão finamente enganado. Por fim,

depois de muita conversa, montaram de novo e seguiram pela estrada

de Zaragoza, onde pensavam chegar a tempo para as festas solenes

que costumam fazer todo ano naquela insigne cidade. Mas, antes que

chegassem lá, aconteceram com eles coisas que, por serem muitas,

grandes e estranhas, merecem ser escritas e lidas, como se verá

adiante.

 

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