Poesias Completas
Capítulo VII
face.
Subito a voz e o rosto alevantando,
Com dissimulação,—peccado embora,
Mas innocente:—«Olhai, a noite é linda!
O vento encrespa mollemente as ondas,
E o céu é todo azul e todo estrelas!
Formosa, oh! quão formosa a terra
minha!
Dizei: além desses compridos serros,
Além daquelle mar, á orla de outros,
Outras como esta vivem?»
VII
Fresca e pura
Era-lhe a voz, voz d'alma que sabia
Entrar no coração paterno. A fronte
Inclina o velho sobre o rosto amado
De Angela.—Na cabeça osculo santo
Imprime á filha; e suspirando, os olhos
Melancholicamente ao ar levanta,
Desce-os e assim murmura:
«Vaso é digno de ti, lyrio dos vales,
Terra solene e bella. A natureza
Aqui pomposa, compassiva e grande,
No regaço recebe a alma que chora
E o coração que tumido suspira.
Comtudo, a sombra pesarosa e errante
Do povo que acabou pranteia ainda
Ao longo das areias,
Onde o mar bate, ou no cerrado bosque
Inda povoado das reliquias suas,
Que o nome de Tupan confessar podem
No proprio templo augusto. Ultima e forte Consolação é esta do vencido
Que viu tudo perder-se no passado,
E unico salva do naufragio imenso