Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 69 de 161

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Poesias Completas

Capítulo LXXXII

Atrás d'esse fantasma correria

Sem que jámais as fórmas lhe palpasse? Seria acaso a sua ingrata sorte

A ventura encontrar nas mãos da morte?

LXXXII

A morte! Heitor pensára alguns

momentos

N'essa sombria porta aberta á vida;

Pallido archanjo dos finaes alentos

De alma que o céu deixou desilludida;

Mão que, fechando os olhos

somnolentos,

Põe o termo fatal á humana lida;

Templo de gloria ou região do medo,

Morte, quem te arrancára o teu segredo?

LXXXIII

Vasio, inutil, ermo de esperanças

Heitor buscava a noiva ignota e fria,

Que o envolvesse então nas longas

tranças

E o conduzisse á camara sombria,

Quando, em meio de pallidas

lembranças,

Surgiu-lhe a idéa de um remoto dia,

Em que cingindo a candida capella

Estava a pertencer-lhe uma donzella.

LXXXIV

Elvira! o casto amor! a esposa amante!

Rosa de uma estação, deixada ao vento! Riso dos céus! estrella rutilante