Poesias Completas
Capítulo VII
Ó Christo! em que alma penetrou teu
nome
Que lhe não désse o balsamo da vida?
Pelo vento dos seculos levado,
Vidente e cego, o maximo dos seres,
Que fora do homem nesta escassa terra, Se ao mysterio da vida lhe não désses,
Ó Christo! a eterna chave da esperança
Philosophia stoica, ardua virtude,
Creação de homem, tudo passa e expira. Tu só, filha de Deus, palavra amiga,
Tu, suavissima voz da eternidade,
Tu perduras, tu vales, tu confortas.
Neste sonho iriado de outros sonhos,
Varios como as feições da natureza,
Nesta confusa agitação da vida,
Que alma transpõe a derradeira edade
Farta de algumas passageiras glorias?
Torvo é o ar do sepulchro; alli não viçam
Essas cansadas rosas da existencia
Que ás vezes tantas lagrimas nos
custam,
E tantas mais antes do occaso expiram.
Flôr do Evangelho, nuncia de alvos dias,
Esperança christã, não te ha murchado
O vento arido e secco; és tu viçosa
Quando as da terra languidas inclinam
O seio, e a vida lentamente exhalam.
Esta a consolação ultima e doce
Da esposa indiana foi. Captiva ou morta,
Antevia a celeste recompensa
Que aos humildes reserva a mão do
Eterno.
Naquelle rude coração das brenhas
A semente evangelica brotara.