Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 80 de 161

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Poesias Completas

Capítulo VII

Ó Christo! em que alma penetrou teu

nome

Que lhe não désse o balsamo da vida?

Pelo vento dos seculos levado,

Vidente e cego, o maximo dos seres,

Que fora do homem nesta escassa terra, Se ao mysterio da vida lhe não désses,

Ó Christo! a eterna chave da esperança

Philosophia stoica, ardua virtude,

Creação de homem, tudo passa e expira. Tu só, filha de Deus, palavra amiga,

Tu, suavissima voz da eternidade,

Tu perduras, tu vales, tu confortas.

Neste sonho iriado de outros sonhos,

Varios como as feições da natureza,

Nesta confusa agitação da vida,

Que alma transpõe a derradeira edade

Farta de algumas passageiras glorias?

Torvo é o ar do sepulchro; alli não viçam

Essas cansadas rosas da existencia

Que ás vezes tantas lagrimas nos

custam,

E tantas mais antes do occaso expiram.

Flôr do Evangelho, nuncia de alvos dias,

Esperança christã, não te ha murchado

O vento arido e secco; és tu viçosa

Quando as da terra languidas inclinam

O seio, e a vida lentamente exhalam.

Esta a consolação ultima e doce

Da esposa indiana foi. Captiva ou morta,

Antevia a celeste recompensa

Que aos humildes reserva a mão do

Eterno.

Naquelle rude coração das brenhas

A semente evangelica brotara.