Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 73 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XCIV

«Meu filho!» exclama, e subito parando

Ante o grupo ajoelha o libertino;

Geme, soluça, em lagrimas beijando

As mãos do velho e as tranças do

menino.

Ergue-se Antero, e frio e venerando,

Olhos no céu, exclama: «Que destino!

Murchar-lhe, viva, a rosa da ventura;

Morta, insultar-lhe a paz da sepultura!»

XCV

«Morta!—Sim!—Ah! senhor! se

arrependido

Posso alcançar perdão, se com meus

prantos,

Posso apiedar-lhe o coração ferido

Por tanta mágoa e longos desencantos;

Se este infante, entre lagrimas nascido,

Póde influir-me os seus affectos santos... É meu filho, não é? perdão lhe imploro!

Veja, senhor! eu soffro, eu creio, eu

choro!»

XCVI

Olha-o com frio orgulho o velho honrado; Depois, fugindo aquella scena estranha,

Entra em casa. O poeta, acabrunhado,

Sobe outra vez a encosta da montanha;

Ao cimo chega, e desce o opposto lado

Que a vaga azul entre soluços banha.

Como fria ironia a tantas mágoas,

Batia o sol de chapa sobre as aguas.