Poesias Completas
Capítulo XCIV
«Meu filho!» exclama, e subito parando
Ante o grupo ajoelha o libertino;
Geme, soluça, em lagrimas beijando
As mãos do velho e as tranças do
menino.
Ergue-se Antero, e frio e venerando,
Olhos no céu, exclama: «Que destino!
Murchar-lhe, viva, a rosa da ventura;
Morta, insultar-lhe a paz da sepultura!»
XCV
«Morta!—Sim!—Ah! senhor! se
arrependido
Posso alcançar perdão, se com meus
prantos,
Posso apiedar-lhe o coração ferido
Por tanta mágoa e longos desencantos;
Se este infante, entre lagrimas nascido,
Póde influir-me os seus affectos santos... É meu filho, não é? perdão lhe imploro!
Veja, senhor! eu soffro, eu creio, eu
choro!»
XCVI
Olha-o com frio orgulho o velho honrado; Depois, fugindo aquella scena estranha,
Entra em casa. O poeta, acabrunhado,
Sobe outra vez a encosta da montanha;
Ao cimo chega, e desce o opposto lado
Que a vaga azul entre soluços banha.
Como fria ironia a tantas mágoas,
Batia o sol de chapa sobre as aguas.