Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 157 de 161

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Poesias Completas

Capítulo VIII

Era um varão distincto o honrado Freire,

Tabellião da terra, não mettido

Nas arengas do bairro. Pouco amante

Dessa gloria que tantas vezes fulge

Quando os mortaes merecedores della

Jazem no eterno pó, não se illustrara

Com actos de bravura ou de grandeza,

Nem cobiçara as distincções do mando.

Confidente supremo dos que á vida

Dizem o ultimo adeus, só lhe importava

Deitar em amplo in-folio as derradeiras

Vontades do homem, repartir co'a penna

Pingue ou magra fazenda, já cercada

De farejantes corvos,—grato emprego

A um coração philosopho, e remedio

Para matar as illusões no peito.

Certo, ver o usurario, que a riqueza

Obteve á custa dos vintens do proximo,

Comprar a eterna paz na eterna vida

Com biocos do posthumas virtudes;

Em torno delle contemplar anciados

Os que, durante longo-aridos annos,

De lisonjas e afagos o cercaram;

Depois alegres uns, sombrios outros,

Conforme foi silencioso ou grato

O abastado defuncto,—emprego é esse

Pouco adequado a jovens e a poetas.

VIII

Joven não era, nem poeta o Freire;

Tinha oito lustros e fallava em prosa.

Mas que és tu; mocidade? e tu, poesia?

Um auto de baptismo? quatro versos?

Ou brancas azas da sensivel pomba

Que arrulha em peito humano? Unico as

perde