Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 87 de 161

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Capítulo XIV

Tremulo, calado,

Anagê crava n'ella os olhos turvos

Dos vapores da festa. As mãos inermes

Lhe pendem; mas o peito—ó misera!—

esse,

Esse de mal contido amor transborda.

Longo instante passou. Alfim: «Deixaste

A festa nossa (o barbaro murmura);

Mysteriosa vieste. Dos guerreiros

Nenhum te viu; mas eu senti teus

passos,

E vim comtigo ao ermo. Ave mesquinha,

Inutil foges; gavião te espreita, [12] Minha te fez Tupan.» Em pé, sorrindo,

Escutava Potyra a voz severa

De Anagê. Breve espaço abria entre

ambos

Alcatifado chão. A fatal hora

Chegara alfim? Não o perscruta a moça;

Tudo acceita das mãos do seu destino,

Tudo, excepto... No proximo arvoredo

Ouve de uma ave o pio melancholico;

Era a voz de seu pae? a voz do esposo? De ambos talvez. No animo da escrava

Restos havia dessa crença antiga

Antiga e sempre nova: o peito humano

Raro de obscuros elos se liberta.

XIV

—«Nasceste para ser senhora e dona:

Anagê não te veda a liberdade;

Quebra tu mesma os nós do captiveiro.

Faze-te esposa. Vem coroar meus dias;

Vem, tudo esqueço. A fronte do

guerreiro,