Poesias Completas
Capítulo VIII
O seu Deus. Patria não. Uma ha na terra Que eu nunca vi... Hoje é ruina tudo,
E viuvez e morte. Um tempo, emtanto,
Bella e forte ella foi; mas longe, longe
Os dias vão da fortaleza e gloria
Escoados de todo como as aguas
Que não volvem jamais. Oleo que a
unge,
Finas telas que a vestem, atavios
De ouro e prata que o colo e os braços
lhe ornam,
E a flôr de trigo e mel de que se nutre,
Sonhos, são sonhos do propheta. É
morta[20]
Jerusalem! Oh! quem lhe dera os dias
Da passada grandeza, quando a planta
Da senhora das gentes sobre o peito
Pousava dos vencidos, quando o nome
Do que ha salvo Israel, Moysés...»
«—Não!
Christo,
Filho de Deus! Só elle ha salvo os
homens!»
Isto dizendo, a delicada virgem
As mãos postas ergueu. Uma palavra
Não disse mais; no coração, emtanto,
Murmurava uma prece silenciosa,
Ardente e viva, como a fé que a anima
Ou como a luz da lampada
A que não faltou oleo.
VIII
Taciturno
Esteve longo tempo o ancião. Aquella
Alma infeliz nem toda era de Christo
Nem toda de Moyses; ouvia attento