Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 100 de 161

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Capítulo VIII

O seu Deus. Patria não. Uma ha na terra Que eu nunca vi... Hoje é ruina tudo,

E viuvez e morte. Um tempo, emtanto,

Bella e forte ella foi; mas longe, longe

Os dias vão da fortaleza e gloria

Escoados de todo como as aguas

Que não volvem jamais. Oleo que a

unge,

Finas telas que a vestem, atavios

De ouro e prata que o colo e os braços

lhe ornam,

E a flôr de trigo e mel de que se nutre,

Sonhos, são sonhos do propheta. É

morta[20]

Jerusalem! Oh! quem lhe dera os dias

Da passada grandeza, quando a planta

Da senhora das gentes sobre o peito

Pousava dos vencidos, quando o nome

Do que ha salvo Israel, Moysés...»

«—Não!

Christo,

Filho de Deus! Só elle ha salvo os

homens!»

Isto dizendo, a delicada virgem

As mãos postas ergueu. Uma palavra

Não disse mais; no coração, emtanto,

Murmurava uma prece silenciosa,

Ardente e viva, como a fé que a anima

Ou como a luz da lampada

A que não faltou oleo.

VIII

Taciturno

Esteve longo tempo o ancião. Aquella

Alma infeliz nem toda era de Christo

Nem toda de Moyses; ouvia attento