Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 8 de 161

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Poesias Completas

Erro

A casa do Senhor ia buscar-te,

Era ainda rezando

Que te arrastavas pelo chão da egreja.

Pobre nação!—é longo o teu martyrio;

A tua dôr pede vingança e termo;

Muito has vertido em lagrimas e sangue;

É propicia esta hora. O sol dos livres

Como que surge no dourado Oriente.

Não ama a liberdade

Quem não chora comtigo as dôres tuas;

E não pede, e não ama, e não deseja

Tua resurreição, finada heroica!

 

ERRO

Erro é teu. Amei-te um dia

Com esse amor passageiro

Que nasce na phantasia

E não chega ao coração;

Nem foi amor, foi apenas

Uma ligeira impressão;

Um querer indifferente,

Em tua presença, vivo,

Morto, se estavas ausente,

E se ora me vês esquivo,

Se, como outr'ora, não vês

Meus incensos de poeta

Ir eu queimar a teus pés,

É que,—como obra de um dia,

Passou-me essa phantasia.

Para eu amar-te devias

Outra ser e não como eras.

Tuas frivolas chimeras,

Teu vão amor de ti mesma,