Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 120 de 161

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Os Semeadores[25]

menos

Uma sentida lagrima, arrancada

Do coração que ele tocára outr'ora,

Quando o ouviu palpitar sereno e puro,

E na voz celebrou de eternos carmes.

Morto, é morto o cantor dos meus

guerreiros!

Virgens da matta, suspirai comigo!»

 

OS SEMEADORES[25]

(Século XVI)

Eis ahi saiu o que semêa a semear...

MATH., XIII, 3.

Vós os que hoje colheis, por esses

campos largos,

O doce fruto e a flôr,

Acaso esquecereis os asperos e

amargos

Tempos do semeador?

Rude era o chão; agreste e longo aquelle

dia;

Comtudo, esses heroes

Souberam resistir na afanosa porfia

Aos temporaes e aos soes.

Poucos; mas a vontade os poucos

multiplica,

E a fé, e as orações

Fizeram transformar a terra pobre em

rica

E os centos em milhões.