Poesias Completas
Os Semeadores[25]
menos
Uma sentida lagrima, arrancada
Do coração que ele tocára outr'ora,
Quando o ouviu palpitar sereno e puro,
E na voz celebrou de eternos carmes.
Morto, é morto o cantor dos meus
guerreiros!
Virgens da matta, suspirai comigo!»
OS SEMEADORES[25]
(Século XVI)
Eis ahi saiu o que semêa a semear...
MATH., XIII, 3.
Vós os que hoje colheis, por esses
campos largos,
O doce fruto e a flôr,
Acaso esquecereis os asperos e
amargos
Tempos do semeador?
Rude era o chão; agreste e longo aquelle
dia;
Comtudo, esses heroes
Souberam resistir na afanosa porfia
Aos temporaes e aos soes.
Poucos; mas a vontade os poucos
multiplica,
E a fé, e as orações
Fizeram transformar a terra pobre em
rica
E os centos em milhões.