Poesias Completas
Capítulo XV
Deixa a arvore ancian perder as folhas
No mesmo ponto em que as nutriu
viçosas,
Negou-me ver por estas longas serras
Ir-se-me o ultimo sol. Brando regaço
A filial piedade me daria
Em que eu dormisse o derradeiro somno, E em braços de meu sangue
transportado
Fora em horas de paz e de silencio
Levado ao leito extremo e eterno. Vive
Ao menos tu...»
XV
Um familiar lhe corta
O adeus ultimo: «Vamos: é já tempo!»
Resignado o infeliz, ao seio aperta
A filha, e todo o coração n'um beijo
Lhe transmitiu, e a caminhar começa.
Angela os lindos braços sobre os
hombros
Trava do austero pae; flôres dissereis
De parasita, que enroscou seus ramos
Pelo cançado tronco, esteril, secco
De arvore antiga: «Nunca! Hão de
primeiro
A alma arrancar-me! Ou se heis peccado,
e a morte
Pena hade ser da commettida culpa,
Convosco descerei á campa fria,
Juntos a mergulhar na eternidade.
Israel tem vertido
Um mar de sangue. Embora! á tona delle
Verdeja a nossa fé, a fé que anima[23] O eleito povo, flôr suave e bella