Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 113 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XV

Deixa a arvore ancian perder as folhas

No mesmo ponto em que as nutriu

viçosas,

Negou-me ver por estas longas serras

Ir-se-me o ultimo sol. Brando regaço

A filial piedade me daria

Em que eu dormisse o derradeiro somno, E em braços de meu sangue

transportado

Fora em horas de paz e de silencio

Levado ao leito extremo e eterno. Vive

Ao menos tu...»

XV

Um familiar lhe corta

O adeus ultimo: «Vamos: é já tempo!»

Resignado o infeliz, ao seio aperta

A filha, e todo o coração n'um beijo

Lhe transmitiu, e a caminhar começa.

Angela os lindos braços sobre os

hombros

Trava do austero pae; flôres dissereis

De parasita, que enroscou seus ramos

Pelo cançado tronco, esteril, secco

De arvore antiga: «Nunca! Hão de

primeiro

A alma arrancar-me! Ou se heis peccado,

e a morte

Pena hade ser da commettida culpa,

Convosco descerei á campa fria,

Juntos a mergulhar na eternidade.

Israel tem vertido

Um mar de sangue. Embora! á tona delle

Verdeja a nossa fé, a fé que anima[23] O eleito povo, flôr suave e bella