Poesias Completas
Capítulo XX
«As venturas do amor um deos reparte;
«Queres têl-as? põe n'elle a confiança.
«Não persigas com supplicas a sorte;
«Tudo se espera; até se espera a morte!
XX
«A doutrina da vida é esta: espera,
«Confia, e colherás a anciada palma;
«Oxalá que eu te apague essa chimera
«Lá diz o bom Demophilo que á alma;
«Como traz a andorinha a primavera,
«A palavra do sabio traz a calma,
«O sabio aqui sou eu. Ris-te, pequena?
«Pois melhor; quero ver-te uma
açucena!»
XXI
Paliava aquelle velho como falla
Sobre côres um cego de nascença.
Pear a juventude! Condemnal-a
Ao somno da ambição vivaz e intensa!
Co' as leves azas da esperança ornal-a
E não querer que rompa a esphera
immensa!
Não consentir que esta manhã de
amores
Encha com frescas lagrimas as flôres
XXII
Mal o velho acabava e justamente
Na rija porta ouviu-se uma pancada.
Quem seria? Uma serva diligente,
Travando de uma luz, desceu a escada.