Poesias Completas
Lua Nova[26]
Vive, embala-se, orvalha-se, recende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.
LUA NOVA[26]
Mãe dos fructos, Jacy, no alto espaço
Eil-a assoma serena e indecisa:
Sopro é della esta languida brisa
Que sussurra na terra e no mar.
Não se mira nas aguas do rio,
Nem as ervas do campo branqueia;
Vaga e incerta ella vem, como a ideia
Que inda apenas começa a espontar.
E iam todos; guerreiros, donzellas,
Velhos, moços, as redes deixavam;
Rudes gritos na aldeia soavam,
Vivos olhos fugiam p'ra o céu:
Iam ve-la, Jacy, mãe dos fructos,
Que, entre um grupo de brancas
estrellas,
Mal scintila: nem póde vencel-as,
Que inda o rosto lhe cobre amplo véu.
E um guerreiro: «Jacy, doce amada,
Retempera-me as forças; não veja
Olho adverso, na dura peleja,
Este braço já frouxo cair.
Vibre a setta, que ao longe derruba
Tajassú, que roncando caminha;
Nem lhe escape serpente damninha,
Nem lhe fuja pesado tapir.»
E uma virgem: «Jacy, doce amada,
Dobra os galhos, carrega esses ramos
Do arvoredo co'as frutas que damos