Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 122 de 161

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Poesias Completas

Lua Nova[26]

Vive, embala-se, orvalha-se, recende,

E as folhas cerra quando rompe a aurora.

 

LUA NOVA[26]

Mãe dos fructos, Jacy, no alto espaço

Eil-a assoma serena e indecisa:

Sopro é della esta languida brisa

Que sussurra na terra e no mar.

Não se mira nas aguas do rio,

Nem as ervas do campo branqueia;

Vaga e incerta ella vem, como a ideia

Que inda apenas começa a espontar.

E iam todos; guerreiros, donzellas,

Velhos, moços, as redes deixavam;

Rudes gritos na aldeia soavam,

Vivos olhos fugiam p'ra o céu:

Iam ve-la, Jacy, mãe dos fructos,

Que, entre um grupo de brancas

estrellas,

Mal scintila: nem póde vencel-as,

Que inda o rosto lhe cobre amplo véu.

E um guerreiro: «Jacy, doce amada,

Retempera-me as forças; não veja

Olho adverso, na dura peleja,

Este braço já frouxo cair.

Vibre a setta, que ao longe derruba

Tajassú, que roncando caminha;

Nem lhe escape serpente damninha,

Nem lhe fuja pesado tapir.»

E uma virgem: «Jacy, doce amada,

Dobra os galhos, carrega esses ramos

Do arvoredo co'as frutas que damos