Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 117 de 161

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Poesias Completas

José Bonifácio

affigura.

Anjo, descera da região celeste

A pairar sobre o abysmo; anjo, subia

De novo á esphera luminosa e eterna,

Patria sua. Levar-lhe-ha Deus em conta

O muito amor e o padecer extremo,

Quando romper a tunica da vida

E o silencio immortal fechar seus labios.

 

JOSÉ BONIFÁCIO

De tantos olhos que o brilhante lume

Viram do sol amortecer no occaso,

Quantos verão nas orlas do horizonte

Resplandecer a aurora?

Innumeras, no mar da eternidade,

As gerações humanas vão cahindo;

Sobre ellas vae lançando o

esquecimento

A pesada mortalha.

Da agitação esteril em que as forças

Consumiram da vida, raro apenas

Um eco chega aos seculos remotos,

E o mesmo tempo o apaga.

Vivos transmite a popular memoria

O genio creador e a sã virtude,

Os que o patrio torrão honrar souberam,

E honrar a especie humana.

Vivo irás tu, egregio e nobre Andrada!

Tu, cujo nome, entre os que á pátria

deram

O baptismo da amada independencia,