Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 102 de 161

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Poesias Completas

Parte II: I

PARTE II

I

Era naquella doce e amavel hora

Em que vem branqueando a alva celeste, Quando parece que remoça a vida

E toda se espreguiça a natureza.

Alva neblina que espalhara a noite

Frouxamente nos ares se dissolve,

Como de uns olhos tristes

Foge co'o tempo a já ligeira sombra

De consoladas maguas. Vida é tudo.

E pompa e graça natural da terra,

Mas que não seja no ermo,

Onde seus olhos rutilos espraia

Livres a aurora, sem tocar vestigios

De obras caducas do homem, onde as

aguas

Do rio bebe a fugitiva corça,

Vivo aroma nos ares se difunde,

E aves, e aves de infinitas cores

Voando vão e revoando tornam,

Inda senhoras da amplidão que é sua,

Donde as hade fugir o homem um dia

Quando a agreste solidão entrar o passo Creador que derruba. Já de todo

Nado era o sol; e á viva luz que innunda

Estes meus patrios morros e estas

praias,

Sorrindo a terra moça

Noiva parece que o virgineo seio

Entrega ao beijo nupcial do amado.

E hade os funebres véus lançar a morte

Na verdura do campo? A natureza

A nota vibrará da extrema angustia

Neste festivo cantico de graças