Poesias Completas
Capítulo IV
De repente,
Aos ouvidos da moça enamorada
Chega um surdo rumor de soltas vozes,
Que ora crescendo vae, ora se apaga,
Extranho, desusado. Eram... São elles,
Os francezes, que vem de longes praias
A cobiçar a perola mimosa,
Nictheroy, na alva-azul concha nascida
De suas aguas recatadas. Rege
O atrevido Duclerc a flôr dos nobres,
Cuja tez branca requeimára o fogo
Que o vivo sol dos tropicos dardeja,
E a lufada dos ventos do oceano.
Cobiçam-te elles, minha terra amada,
Como quando nas faixas sempre-verdes
Eras envolta; e rude, inda que bello,
O aspecto havias que poliu mais tarde
A clara mão do tempo. Inda repetem
Os ecos do reconcavo os suspiros
Dos que vieram a buscar a morte,
E a receberam dos varões possantes
Companheiros de Estacio. A todos elles,
Prole de Luso ou geração da Gallia,
Captivara-os a nayade escondida,
E o sol os viu travados nessa longa
E sangrenta porfia, cujo premio
Era teu verde, candido regaço.
Triunphára o trabuco lusitano
Naquele exticnto seculo. Vencido,
O pavilhão francez volvera á patria,
Pela agua arrastando o longo crepe
De suas tristes, mortas esperanças.
Que vento novo o desfraldou nos ares?