Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 29 de 161

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Poesias Completas

A Elvira

Até á morte iremos,

Soltos ao longo do baixel da vida

Os esquecidos remos.

Firmes, entre o fragor da tempestade,

Gosaremos o bem que amor encerra;

Passaremos assim do sol da terra

Ao sol da eternidade.

 

A ELVIRA

(LAMARTINE)

Quando, comtigo a sós, as mãos unidas, Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,

Ás volupias do amor a alma entregando,

Deixo correr as horas fugidias;

Ou quando ás solidões de umbrosa selva Comigo te arrebato; ou quando escuto

—Tão só eu,—teus ternissimos suspiros;

E de meus labios solto

Eternas juras de constancia eterna;

Ou quando, emfim, tua adorada fronte

Nos meus joelhos tremulos descansa,

E eu suspendo meus olhos em teus

olhos,

Como ás folhas da rosa avida abelha;

Ai, quanta vez então dentro em meu

peito

Vago terror penetra, como um raio!

Empallideço, tremo;

E no seio da gloria em que me exalto,

Lagrimas verto que a minha alma

assombram!

Tu, carinhosa e tremula,

Nos teus braços me cinges,—e

assustada,