Poesias Completas
A Elvira
Até á morte iremos,
Soltos ao longo do baixel da vida
Os esquecidos remos.
Firmes, entre o fragor da tempestade,
Gosaremos o bem que amor encerra;
Passaremos assim do sol da terra
Ao sol da eternidade.
A ELVIRA
(LAMARTINE)
Quando, comtigo a sós, as mãos unidas, Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,
Ás volupias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando ás solidões de umbrosa selva Comigo te arrebato; ou quando escuto
—Tão só eu,—teus ternissimos suspiros;
E de meus labios solto
Eternas juras de constancia eterna;
Ou quando, emfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos tremulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus
olhos,
Como ás folhas da rosa avida abelha;
Ai, quanta vez então dentro em meu
peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empallideço, tremo;
E no seio da gloria em que me exalto,
Lagrimas verto que a minha alma
assombram!
Tu, carinhosa e tremula,
Nos teus braços me cinges,—e
assustada,