Poesias Completas
Capítulo XI
Amor eternamente convencido,
Que vai além de um tumulo fechado,
E que, através dos seculos ouvido,
O nome leva do objecto amado,
Que faz de Laura um culto, e tem por
sorte
Negra fouce quebrar nas mãos da morte.
XI
Fosse eu moça e bonita... N'este lance
Se o meu leitor é já homem sisudo,
Fecha tranquillamente o meu romance,
Que não serve a recreio nem a estudo;
Não entendendo a força nem o alcance
De semelhante amor, condemna tudo;
Abre um volume serio, farto e enorme,
Algumas folhas lê, boceja... e dorme.
XII
Nada perdes, leitor, nem perdem nada
As esquecidas musas; pouco importa
Que tu, vulgar materia condemnada,
Aches que um tal amor é lettra morta.
Pódes, cedendo á opinião honrada,
Fechar á minha Elvira a esquiva porta.
Almas de prosa chã, quem vos daria
Conhecer todo o amor que ha na poesia?
XIII
Ora, o tio de Elvira, o velho Antero,
Erudito e philosopho profundo,
Que sabia de cór o velho Homero,
E compunha os annaes do Novo Mundo;