Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 45 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XI

Amor eternamente convencido,

Que vai além de um tumulo fechado,

E que, através dos seculos ouvido,

O nome leva do objecto amado,

Que faz de Laura um culto, e tem por

sorte

Negra fouce quebrar nas mãos da morte.

XI

Fosse eu moça e bonita... N'este lance

Se o meu leitor é já homem sisudo,

Fecha tranquillamente o meu romance,

Que não serve a recreio nem a estudo;

Não entendendo a força nem o alcance

De semelhante amor, condemna tudo;

Abre um volume serio, farto e enorme,

Algumas folhas lê, boceja... e dorme.

XII

Nada perdes, leitor, nem perdem nada

As esquecidas musas; pouco importa

Que tu, vulgar materia condemnada,

Aches que um tal amor é lettra morta.

Pódes, cedendo á opinião honrada,

Fechar á minha Elvira a esquiva porta.

Almas de prosa chã, quem vos daria

Conhecer todo o amor que ha na poesia?

XIII

Ora, o tio de Elvira, o velho Antero,

Erudito e philosopho profundo,

Que sabia de cór o velho Homero,

E compunha os annaes do Novo Mundo;