Poesias Completas
Sinhá
Onde, doce illusão, fechado havias
Tudo o que de melhor a alma do homem
Encerra de esperanças.
Dorme, dorme tranquilla
Em teu ultimo asylo; e se eu não pude
Ir espargir tambem algumas flôres
Sobre a lagea da tua sepultura;
Se não pude,—eu que ha pouco te
saudava
Em teu erguer, estrella,—os tristes olhos
Banhar nos melancolicos fulgores,
Na triste luz do teu recente occaso,
Deixo-te ao menos nestes pobres versos Um penhor de saudade, e lá na esphera
Aonde approuve ao Senhor chamar-te
cedo,
Possas tu ler nas pallidas estrophes
A tristeza do amigo.
SINHÁ
O teu nome é como o oleo derramado.
Cantico dos Canticos.
Nem o perfume que expira
A flôr, pela tarde amena,
Nem a nota que suspira
Canto de saudade e pena
Nas brandas cordas da lyra;
Nem o murmurio da veia
Que abriu sulco pelo chão
Entre margens de alva arêa,
Onde se mira e recreia
Rosa fechada em botão;