Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 10 de 161

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Poesias Completas

Sinhá

Onde, doce illusão, fechado havias

Tudo o que de melhor a alma do homem

Encerra de esperanças.

Dorme, dorme tranquilla

Em teu ultimo asylo; e se eu não pude

Ir espargir tambem algumas flôres

Sobre a lagea da tua sepultura;

Se não pude,—eu que ha pouco te

saudava

Em teu erguer, estrella,—os tristes olhos

Banhar nos melancolicos fulgores,

Na triste luz do teu recente occaso,

Deixo-te ao menos nestes pobres versos Um penhor de saudade, e lá na esphera

Aonde approuve ao Senhor chamar-te

cedo,

Possas tu ler nas pallidas estrophes

A tristeza do amigo.

 

SINHÁ

O teu nome é como o oleo derramado.

Cantico dos Canticos.

Nem o perfume que expira

A flôr, pela tarde amena,

Nem a nota que suspira

Canto de saudade e pena

Nas brandas cordas da lyra;

Nem o murmurio da veia

Que abriu sulco pelo chão

Entre margens de alva arêa,

Onde se mira e recreia

Rosa fechada em botão;