Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 70 de 161

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Poesias Completas

Capítulo LXXXV

Esquecida no azul do firmamento!

Ideal, meteoro de um instante!

Gloria da vida, luz do pensamento!

A gentil, a formosa realidade!

Unica dita e unica verdade!

LXXXV

Ah! porque não ficou calmo e tranquillo

Da ingenua moça nos divinos braços?

Porque fugira ao casto e alegre asylo?

Porque rompêra os mal formados laços?

Quem pudera jámais restituil-o

Aos estreitos, fortissimos abraços

Com que Elvira apertava enternecida

Esse que lhe era o amor, a alma e a

vida?

LXXXVI

Será tempo? Quem sabe? Heitor hesita;

Tardio pejo lhe enrubece a face;

Punge o remorso; o coração palpita

Como se vida nova o reanimasse;

Tenue fogo, entre a cinza, arde e se

agita...

Ah! se o passado alli resuscitasse

Reviverião illusões viçosas,

E a gasta vida rebentara em rosas!

LXXXVII

Resolve Heitor voltar ao valle amigo,

Onde ficára a noiva abandonada.

Transpõe o lar, affronta-lhe o perigo,

E chega emfim á terra desejada.