Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 114 de 161

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Poesias Completas

Capítulo XVI

Que o medo não desfolha, nem já secca

Ao vento mau da colera dos homens!»

XVI

Trémula a voz do peito lhe saía.

Das mãos lhe trava um dos algozes. Ella

Entrega-se risonha,

Como se o calix da amargura extrema

Pelos meles da vida lhe trocassem

Celeste e eterna. O coração do moço

Latejava de espanto e susto. Os olhos

Pousa na filha o desvairado velho.

Que ouviu?—Attenta nella; o lindo rosto

O céu não busca jubiloso e livre,

Antes, como travado de agra pena,

Pende-lhe agora ao chão. Dizia acaso

Entre si mesma uma oração, e o nome

De Jesus repetia, mas tão baixo,

Que o coração do pae mal pôde ouvir-

lh'o.

Mas ouviu-lh'o; e tão forte amor, tamanho Sacrificio da vida a alma lhe rasga

E deslumbra. Escoou-se um breve tempo De silencio; elle e ella, os tristes noivos,

Como se a eterna noite os recebêra,

Gelados eram; levantar não ousam

Um para o outro os arrasados olhos

De mal contidas e teimosas lagrimas.

XVII

Nuno, enfim, lentamente e a custo

arranca

Do coração estas palavras: «Fôra

Misericordia ao menos confessal-o