Poesias Completas
Capítulo LXVII
Ao som de uma canção napolitana.
Dão-lhe para os serões do ardente estio, Asti, os vinhos; mulheres, a Toscana.
Roma adora, embriaga-se em Veneza,
E ama a arte nos braços da belleza.
LXVII
Vê Londres, vê Paris, terra das ceias,
Feira do amor a toda a bolsa aberta;
No mesmo laço, as bellas como as feias, Por capricho ou razão, iguaes aperta;
A edade não pergunta ás taças cheias,
Só pede o vinho que o prazer desperta;
Adora as outoniças, como as novas,
Torna-se heróe de rua e heróe de
alcovas.
LXVIII
Versos quando os compõe, celebram
antes
O alegre vicio que a virtude austera;
Canta os beijos e as noites delirantes,
O esteril gozo que a volupia gera;
Troca a illusão que o seduzia d'antes
Por maior e tristissima chimera;
Ave do céu, entre os osculos creada,
Espalha as plumas brancas pela estrada.
LXIX
Um dia, emfim, cansado e aborrecido,
Acorda Heitor; e olhando em roda e ao
largo,
Vê um deserto, e do prazer perdido