Poesias Completas
Capítulo II
Quando, leitora amiga, no occidente
Surge a tarde esmaiada e pensativa;
E entre a verde folhagem rescendente
Languida geme viração lasciva;
E já das tenues sombras do oriente
Vem apontando a noite, e a casta diva Subindo lentamente pelo espaço,
Do céu, da terra observa o estreito
abraço;
II
N'essa hora de amor e de tristeza,
Se acaso não amaste e acaso esperas
Ver coroar-te a juvenil belleza
Casto sonho das tuas primaveras;
Não sentes escapar tua alma acesa
Para voar ás lucidas espheras?
Não sentes n'essa mágoa e n'esse enleio Vir morrer-te uma lagrima no seio?
III
Sêntel-o? Então entenderás Elvira,
Que assentada á janella, erguendo o
rosto,
O vôo solta á alma que delira
E mergulha no azul de um céu de agosto; Entenderás então porque suspira,
Victima já de um intimo desgosto,
A meiga virgem, pallida e calada,
Sonhadora, anciosa e namorada.