Poesias Completas
Capítulo LXXIII
Na agitação que os animos abate,
Queres colher a palma do combate?
LXXIII
Chamas em vão as musas;
deslembradas,
Á tua voz os seus ouvidos cerram;
E nas paginas virgens, preparadas,
Pobre poeta, em vão teus olhos erram;
Nega-se a inspiração; nas despregadas
Cordas da velha lyra, os sons que
encerram
Inertes dormem; teus cansados dedos
orrem debalde; esquecem-lhe os
segredos.
LXXIV
Ah! se a taça do amor e dos prazeres
Já não guarda licor que te embriague;
Se nem musas nem languidas mulheres
Têm coração que o teu desejo apague;
Busca a sciencia, estuda a lei dos seres,
Que a mão divina a tua dôr esmague;
Entra em ti, vê o que és, observa em
roda,
Escuta e palpa a natureza toda.
LXXV
Livros compra, um philosopho procura;
Revolve a creação, prescruta a vida;
Vê se espancas a longa noite escura
Em que a esteril razão andou mettida;
Talvez aches a palma da ventura