Poesias Completas
Capítulo XCI
Iguaes flôres, nas plantas renascidas...
Tudo alli falla de perpetuas vidas!
XCI
Desce o poeta cauteloso e lento.
Olha de longe; um vulto ao sol erguia
A veneranda fronte, monumento
De grave e celestial melancolia.
Como sulco de um fundo pensamento
Larga ruga na testa abrir se via,
Era a ruina talvez de uma esperança...
Nos braços tinha uma gentil criança.
XCII
Ria a criança; o velho contemplava
Aquella flôr que ás auras matutinas
O perfumoso calix desbrochava
E entrava a abrir as petalas divinas.
Triste sorriso o rosto lhe animava,
Como um raio de lua entre ruinas.
Alegria infantil, tristeza austera,
O inverno torvo, a alegre primavera!
XCIII
Desce o poeta, desce, e preso, e fito
Nos bellos olhos do gentil infante,
Treme, comprime o peito... e após um
grito
Corre alegre, exaltado e delirante,
Ah! se jámais as vozes do infinito
Podem sahir de um coração amante,
Teve-as aquelle... Lagrimas sentidas
Lhe inundárão as faces resequidas!