Poesias Completas
Capítulo V
Mansão de riso e paz, mansão de
amores
Era o valle. Espalhava a natureza,
Com dadivosa mão, palmas e flôres
De agreste aroma e virginal belleza;
Bosques sombrios de immortaes
verdores,
Asylo proprio á inspiração accesa,
Valle de amor, aberto ás almas ternas
N'este valle de lagrimas eternas.
V
A casa, junto á encosta de um outeiro,
Alva pomba entre folhas parecia:
Quando vinha a manhã, o olhar primeiro
Ia beijar-lhe a verde gelosia:
Mais tarde a fresca sombra de um
coqueiro
Do sol quente a janella protegia;
Pouco distante, abrindo o solo adusto,
Um fio d'agua murmurava a custo.
VI
Era uma joia a alcova em que sonhava
Elvira, alma de amor. Tapete fino
De apurado lavor o chão forrava.
De um lado oval espelho crystallino
Pendia. Ao fundo, á sombra, se occultava Elegante, engraçado, pequenino
Leito em que, repousando a face bella,
De amor sonhava a pallida donzella.