Poesias Completas
Capítulo VIII
Necessidade de immolar os homens,
Por salvar homens, a terrivel guerra
Corta o amoroso vinculo que os prende
E á moça o riso lhe converte em
lagrimas.
Misera és tu, pallida flôr; mas soffre
Que o calor deste sol te acurve o calix,
Morta, não, nem já murcha,—mas
apenas
Como cançada de queimor do estio.
Soffre; a tarde virá serena e branda
A reviver-te o alento; a fresca noite
Choverá sobre ti piedoso orvalho
mais risonha surgirás á aurora.
VIII
Foge á estancia da paz o hardido moço;
Esperança, fortuna, amor e patria
A guerrear o levam. Já nas veias
O vivo sangue irrequieto pulsa,
Como ancioso de correr por ambas,
A bella terra e a suspirada noiva.
Triste quadro a seus olhos se apresenta;
Nos femininos rostos vê pintados
Incerteza e terror; lamentos, gritos
Soam de entorno. Voam pelas ruas
Homens de guerra; homens de paz se
aprestam
Para a crua peleja; e, ou nobre estancia,
Ou choupana rasteira, armado é tudo
Contra a forte invasão. Nem lá se deixa
Quieto, a sós com Deus, na estreita cella, O solitario monge que ás batalhas
Fugiu da vida. O patrimonio santo
Cumpre salval-o. Cruz e espada
empunha,