Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 108 de 161

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Poesias Completas

Capítulo VIII

Necessidade de immolar os homens,

Por salvar homens, a terrivel guerra

Corta o amoroso vinculo que os prende

E á moça o riso lhe converte em

lagrimas.

Misera és tu, pallida flôr; mas soffre

Que o calor deste sol te acurve o calix,

Morta, não, nem já murcha,—mas

apenas

Como cançada de queimor do estio.

Soffre; a tarde virá serena e branda

A reviver-te o alento; a fresca noite

Choverá sobre ti piedoso orvalho

mais risonha surgirás á aurora.

VIII

Foge á estancia da paz o hardido moço;

Esperança, fortuna, amor e patria

A guerrear o levam. Já nas veias

O vivo sangue irrequieto pulsa,

Como ancioso de correr por ambas,

A bella terra e a suspirada noiva.

Triste quadro a seus olhos se apresenta;

Nos femininos rostos vê pintados

Incerteza e terror; lamentos, gritos

Soam de entorno. Voam pelas ruas

Homens de guerra; homens de paz se

aprestam

Para a crua peleja; e, ou nobre estancia,

Ou choupana rasteira, armado é tudo

Contra a forte invasão. Nem lá se deixa

Quieto, a sós com Deus, na estreita cella, O solitario monge que ás batalhas

Fugiu da vida. O patrimonio santo

Cumpre salval-o. Cruz e espada

empunha,