Poesias Completas

Machado de Assis · Capítulo 153 de 161

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Poesias Completas

Capítulo III

Em que não entrem moças? Descorada,

Como heroina de romance do hoje,

Alva, como as mais alvas deste mundo,

Tal, que disseras lhe negara o sangue

A madre natureza, Margarida

Tinha o suave, delicado aspecto

De uma santa de cêra, antes que a tinta

O matiz beatifico lhe ponha,

Era alta e fina, senhoril e bella,

Delicada e subtil. Nunca mais vivo

Transparecera em rosto de donzella

Vergonhoso pudor, agreste e rude,

Que até de uns simples olhos se offendia E chegava a corar, se o pensamento

Lhe adivinhava anonymo suspiro

Ou remota ambição de amante ousado.

Era vel-a, ao domingo, caminhando

Á missa, co'os parentes o os escravos

A um de fundo, em grave e compassada

Procissão; era ver-lhe a compostura,

A devoção com que escutava o padre,

E no agnus-dei levava a mão ao peito, Mão que enchia do fogos e desejos

Dez ou doze amadores respeitosos

De suas graças, varios na figura,

Na posição, na edade e no juizo,

E que alli mesmo, á luz dos bentos cyrios (Tão de longe vêm já os maus

costumes)!

Ousavam inda suspirar por ella.

III

Entre esses figurava o moço Vasco.

Vasco, a flôr dos vadios da cidade,

Namorador dos adros das egrejas,

Taful de cavalhadas, consummado